Relatório da CPI sem laudo da exumação
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segunda-feira, 24 de novembro de 2003
Maria Duarte<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A apresentação do relatório final da CPI do Banestado da Assembléia Legislativa, prevista para a próxima quarta-feira, deve ser feita sem o resultado da exumação de Osvaldo Magalhães dos Santos, ex-diretor da Banestado Leasing e ex-secretário de Esporte e Turismo do governo Jaime Lerner (PSB).
Isso deve ocorrer porque os exames, sob a responsabilidade do Instituto Geral de Perícia do Rio Grande do Sul, podem demorar até 120 dias para serem concluídos. A exumação foi realizada no último sábado, em Curitiba. No entanto, os laudos serão anexados às investigações quando ficarem prontos.
Na tarde de ontem, o relator da CPI do Banestado, Mário Sérgio Bradock (PMDB), e o assessor jurídico da comissão, o advogado Marcelo Couto de Cristo, estavam no prédio da Assembléia Legislativa costurando o esboço do relatório, que deve passar de mil páginas. Hoje pela manhã a comissão deve fazer uma reunião fechada para analisar o texto final. Mas, por enquanto, os integrantes da Comissão Parlamentar de Inquérito prefere manter suspense em relação às conclusões que serão apresentadas. Mas Couto de Cristo adianta que todas as informações serão repassadas ao Ministério Público (MP), como tem sido feito com as demais CPIs.
A CPI do Banestado começou a funcionar há cerca de oito meses, investigando o processo de saneamento e venda do Banestado para o Itaú, em outubro de 2000. A exumação de Osvaldinho, morto em setembro de 1998, foi solicitada pela CPI depois que depoentes levantaram suspeitas sobre a identidade do cadáver enterrado como sendo do ex-secretário. Osavaldo Magalhães dos Santos comandava a Banestado Leasing, e o Ministério Público suspeitava de seu envolvimento em irregularidades que resultaram em prejuízos de R$ 600 milhões ao então banco estatal, por ter emprestado dinheiro a empresas sem exigir garantias de pagamento. ''A exumação foi um assunto autônomo, que surgiu ao longo das investigações. Não vai interferir no relatório que será apresentado'', explicou o advogado da CPI.


