Agência Estado
De Brasília
A suspeita de que as empresas do Grupo Monteiro de Barros funcionariam como ‘‘laranja’’ do Grupo OK, pertencente ao senador Luiz Estêvão (PMDB-DF), foi reforçada ontem no relatório final da CPI do Judiciário. De acordo com o relator Paulo Souto (PFL-BA), diligências efetuadas pela Receita Federal nas empresas do senador revelam ‘‘demonstrações inequívocas da singularidade das relações entre as empresas dos dois grupos’’.
‘‘Qual a necessidade da Construtora Ikal (do Grupo Monteiro de Barros) tomar empréstimos para repassar à Saenco (do Grupo OK), quando esse mesmo empréstimo é garantido pelo Banco OK, empresa do mesmo grupo da Saenco?’’, questiona Souto no relatório.
O Grupo Monteiro de Barros foi o vencedor da licitação fraudulenta para a construção do fórum trabalhista de São Paulo. O Grupo OK ficou em terceiro lugar, com apenas três pontos de diferença, mas não recorreu da decisão. Ainda assim, recebeu US$ 45 milhões de Monteiro de Barros.
O episódio citado no relatório sobre a existência de empresas ‘‘laranja’’ teve início no dia 13 de abril, quando a Construtora Ikal obteve do banco Barclays e Galícia um empréstimo no valor de R$ 1,9 milhão. No mesmo dia, o Banco OK de Investimentos fez uma aplicação nesse banco, no valor idêntico de R$ 1,9 milhão, colocando-o como garantia do empréstimo feito pela Ikal.
A bancada do PMDB no Senado antecipou ontem que concederá licença para o Supremo Tribunal Federal processar Estêvão. A autorização prévia, constante da nota divulgada pelo líder Jáder Barbalho (PA), foi decidida por 22 senadores que se reuniram com o líder na noite de anteontem.

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