Brasília - O deputado José Mentor (PT-SP) apresenta hoje o resultado de um ano e meio de trabalho da CPI do Banestado, que investigou as remessas ilegais de dinheiro feitas entre 1996 e 2003. Serão 650 páginas de relatório e mais 350 folhas de anexos de provas sobre a evasão. O ex-presidente do Banco Central Gustavo Franco, os ex-dirigentes do Banestado, centenas de doleiros e milhares de pessoas físicas serão apontadas no relatório como responsáveis e beneficiários das normas do BC que possibilitaram a saída irregular de dinheiro do País via conta CC-5.
A venda do Banco Excel ao espanhol BBV também será lembrada pelo relator. Mentor investigou a coincidência das aplicações do dinheiro do Tesouro Nacional no mesmo dia em que o BBV comprou o Excel. Este era o motivo pelo qual o relator queria reconvocar Gustavo Franco, mas a bancada do PSDB não permitiu. Desde quinta-feira da semana passada, quando não compareceu à reunião da CPI para apresentar o relatório que o deputado José Mentor revisa as suas conclusões finais.
Mentor quebrou o acordo que tinha feito com o presidente da CPI, senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT), de apresentar o relatório no começo da noite de ontem para que os membros da comissão pudessem chegar à reunião de hoje conhecendo o texto. ''Resolvi adiar a entrega para amanhã (hoje), na hora da reunião, para evitar vazamentos'', justificou Mentor.
A apresentação do relatório vai provocar a sugestão de emendas ao texto. As emendas feitas pelo senador Antero Paes de Barros tentam anular as acusações que deverão ser feitas pelo relator ao ex-presidente do BC Gustavo Franco durante o governo tucano de Fernando Henrique Cardoso.
O deputado Sérgio Miranda (PC do B-MG), um dos membros da comissão, vai sugerir através de emendas ao relatório várias alterações na legislação financeira brasileira para impedir a evasão de divisas.

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