Relatório da CPI da Copel deve ficar sair no dia 29
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quinta-feira, 16 de outubro de 2003
Rodrigo Sais<br>Equipe da Folha 
Curitiba O relatório final da CPI da Copel instalada na Assembléia Legislativa deve ser apresentado apenas no dia 29 de outubro. Em uma reunião realizada ontem, os membros da comissão decidiram pedir uma prorrogação de 30 dias no prazo para apresentar o relatório, que se encerraria na semana que vem.
Caberá ao relator da CPI, deputado Ratinho Júnior (PPS), organizar os quatro sub-relatórios redigidos pelos demais parlamentares da comissão para que o trabalho final seja apreciado no final do mês. ''Pedimos um prazo maior para que os sub-relatores tenham tempo para finalizar com calma seus trabalhos. Mas no dia 10 de novembro os membros da CPI já terão votado e aprovado o relatório que será enviado ao Plenário da Assembléia'', assegurou o presidente da CPI, Marcos Isfer.
Os quatro focos de irregularidades na estatal investigados pela CPI foram: a criação de parcerias com empresas privadas que teriam trazido prejuízos para a Copel; a compra de 45% das ações da Sercomtel por R$ 186 milhões; os contratos firmados entre a Copel e a usina UEG, de Araucária; e a aquisição de créditos tributários indevidos da empresa Olvepar.
Está previsto apenas mais um depoimento à CPI antes da apresentação do relatório final. O gerente da Mix Trade Comércio Internacional, Rogério Figueiredo Vieira, será ouvido no Rio de Janeiro no próximo dia 27. A Mix Trade recebeu R$ 2,5 milhões pelos créditos tributários comprados junto a Copel pela Olvepar, e também recebeu R$ 10,75 milhões da Associação dos Diplomados em Administração e Economia da Universidade de São Paulo (Adifea), que foi paga para realizar cálculos tributários para a Copel, mas acabou terceirizando o serviço. ''Já temos o sub-relatório sobre as irregularidades nos contratos com a Adifea e a Olvepar prontos, mas queremos o depoimento desse gerente para investigarmos indícios de que parte do dinheiro teria sido remetido ilegalmente para o exterior'', explicou o deputado Tadeu Veneri (PT).
Para Veneri, a maior realização da CPI foi ter levantado o quão frouxo é o controle das empresas estatais pela administração pública. ''Todos os atos lesivos à Copel foram aprovados por unanimidade pelo Conselho de Administração da empresa, sendo que os indícios de irregularidades eram bem fortes. Uma das sugestões do relatório que será enviada ao plenário é a criação de leis que aumentem o controle sobre as estatais'', afirmou Veneri.
Para o presidente da CPI, o resultado da comissão foi ''altamente satisfatório''. ''Vamos pedir o rompimento de parcerias prejudiciais à Copel e a renegociação de contratos lesivos ao patrimônio público, além de buscar a responsabilização criminal dos responsáveis pelos problemas. Conduzimos as investigações sem fazer muito alarde, mas acho que o resultado será produtivo para a sociedade'', disse Isfer.


