Curitiba - Os deputados estaduais aprovaram na sexta-feira o relatório final da Comissão Especial de Investigação (CEI) das Terras - criada para apurar as ocupações de terras no Paraná. O relatório pede a imediata reintegração de posse de quatro fazendas ocupadas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) que foram analisadas pela CEI e dá 60 dias para que as famílias acampadas sejam retiradas sob pena de responsabilização criminal dos chefes de Estado. ''Ele (o governador) terá que cumprir as reintegrações de posse aprovadas. Se ele não cumprir, cobraremos da Assembléia que faça cumprir o que foi decidido aqui com a aprovação do relatório: a apresentação de um projeto de resolução enquadrando os chefes de Estado - inclusive o governador - por crime de responsabilidade por descumprimento de ação judicial'', disse o presidente da CEI, Élio Rusch (PFL).
Durante o funcionamento da CEI, os deputados ouviram os depoimentos de fazendeiros, sem-terra, técnicos do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e foram verificar pessoalmente como viviam as famílias nas áreas ocupadas. As fazendas analisadas foram a Kelly, Quatro-R e Boito, além da Syngenta Seeds Ltda - que foi considerada como de utilidade pública pelo governador Roberto Requião em decreto estadual com a finalidade de desapropriação.
Os deputados da CEI lamentaram que não conseguiram ouvir os representantes do Estado. Como não tem poderes para convocar, a CEI convidou os secretários da Segurança, Luiz Fernando Delazari e o procurador-geral do Estado, Sérgio Botto de Lacerda, que não compareceram alegando compromissos anteriormente agendados.
A assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Segurança Pública afirmou que a política do atual governo é sempre cumprir os mandados judiciais de reintegração de posse, mas de forma pacífica e com responsabilidade. Segundo a assessoria, o governo do Estado, em quatro anos, promoveu a reintegração de posse em 147 áreas, enquanto nos oito anos da gestão anterior foram 111 desocupações.
Sobre as fazendas citadas pela CEI, a assessoria informou que a Syngenta já foi desocupada; o Incra está negociando a compra da fazenda Quatro-R com o proprietário para que seja transformada em assentamento da reforma agrária; e as demais estão no cronograma da Secretaria para serem programadas as reintegrações. (Colaborou Andréa Lombardo)

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