Relatório aponta que Jango era alvo da Operação Condor
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sábado, 01 de dezembro de 2001
Agência Folha<br>Do Rio de Janeiro 
O relatório da Comissão Externa da Câmara dos Deputados que investiga a morte do presidente João Goulart concluiu que ele era um dos alvos da Operação Condor, conduzida por governos militares de países sul-americanos para eliminar adversários políticos. A comissão, segundo o relator Miro Teixeira (PDT-RJ), não teve condições de investigar a veracidade da causa oficial da morte de Jango um ataque cardíaco. Ele morreu aos 57 anos, em 6 de dezembro de 1976, no exílio, em sua fazenda na província de Corrientes, na Argentina. ''O fato de que Brasil e Argentina não permitiram, na época, a realização de autópsia evidencia uma ação coordenada entre os governos militares'', disse o deputado. Jango foi enterrado em São Borja (RS), onde nasceu.
Sem a autópsia, não foi possível comprovar acusações de que ele possa ter sido vítima de um atentado. As suspeitas de que sua morte interessava à Operação Condor, diz Miro, estão fundamentadas em documentos obtidos em países da América do Sul e nos Estados Unidos. Jango, eleito vice-presidente, assumiu o poder com a renúncia de Jânio Quadros e governou de setembro de 61 a março de 64, quando foi deposto pelos militares.
Ontem, a historiadora Denise Goulart, 42, filha de Jango, criticou o trabalho da comissão, após cerimônia na qual parte do acervo pessoal de seu pai foi doado para o Arquivo Nacional. ''Tenho dúvidas com relação às causas da morte de meu pai, porém não tenho condições de provar suspeitas. Os deputados não chegaram a nenhuma conclusão. Não é uma comissão séria'', disse Denise.


