Relatório aponta falhas na saúde de Ponta Grossa
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quinta-feira, 22 de novembro de 2007
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba- Um estudo feito pelo Ministério Público (MP) estadual em Ponta Grossa foi entregue ontem ao Setor de Auditorias do Ministério da Saúde (MS) e à Comissão de Saúde da Assembléia Legislativa. Conforme o relatório, de agosto de 2003 a setembro de 2007, foram verificadas 432 mortes de pessoas que já haviam se cadastrado na Central de Leitos em busca de transferência para hospitais de média e alta complexidade. O Pronto-Socorro Municipal não tem especialistas em áreas mais complexas como cardiologia e neurologia.
Do total de mortes, 234 pacientes aguardavam internados um leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). O assunto foi tema de debate entre o promotor Fuaj Faraj e o secretário de Estado de Saúde, Gilberto Martin. ''Os estudos demonstraram que há uma falha relevante de leitos cirúrgicos, de isolamento. Temos que avaliar a eficácia de políticas públicas de saúde pela ampliação do número de leitos'', ponderou o promotor.
Os dados do estudo demonstram que de janeiro a setembro deste ano foram registradas 57 mortes de pacientes que aguardavam transferências para outros leitos. Eles ficaram, em média, 45 horas e 32 minutos na fila de espera. ''Essas pessoas morreram na fila de espera e não deveriam. Fila de espera maldita. A Secretaria de Estado da Saúde esconde a sete chaves os dados desses óbitos. Já tive que processar por crime de desobediência. Levantei eu os dados. E são números alarmantes de um só hospital'', reclamou o promotor. Os dados já fazem parte de uma auditoria que o MS está realizando no Paraná.
O secretário Gilberto Martin não quis polemizar. ''Não dá para dizer que as mortes tenham ocorrido por negligência no atendimento. Não é verdade. Não há como provar esses dados trazidos pelo promotor de forma clínica ou médica'', disse Martin, ao explicar que o governo aumentou de 17 para 89 o número de vagas de UTI em Ponta Grossa de 2002 para 2007. Sem acordo, Fuaj anunciou que irá chamar os familiares dos pacientes mortos e relatados no estudo para explicar as condições da saúde pública no Estado. As famílias serão orientadas a procurar caminhos judiciais de indenização cível, se for o caso.


