Relatório aponta 'desvios' de procurador
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 09 de abril de 2009
Alan Gripp<br>Folhapress 
Brasília - O relatório final da investigação sobre as supostas irregularidades cometidas pelo delegado Protógenes Queiroz à frente da Operação Satiagraha levanta a tese de que o procurador da República Roberto Dassié Diana agiu para tentar desqualificar a apuração e propõe que ''possíveis desvios'' sejam investigados pela Corregedoria do Ministério Público Federal.
No final de 2008, o juiz federal Ali Mazloum já havia feito ataques ao procurador, acusando-o de tentar induzir a imprensa ao erro ao questionar suposta quebra ilegal de sigilo telefônico de jornalistas que acompanharam a operação.
Desta vez, documento do corregedor da Polícia Federal Amaro Vieira Ferreira critica principalmente o fato de Diana ter tentado anular provas obtidas pela Corregedoria da PF em ações de busca e apreensão em endereços de Protógenes e de outros investigadores do caso.
Consultada, a Procuradoria deu opinião contrária às apreensões, mas o juiz Mazloum determinou as buscas.
Depois, o procurador pediu à Justiça a devolução do material apreendido, com o argumento de que a Procuradoria não concordara com a ação. O pedido foi negado por Mazloum, e o delegado agora chama ironicamente o argumento do procurador de ''inovador'' - o Ministério Público pode opinar, mas a palavra final é do Judiciário.
As buscas resultaram em provas usadas por Ferreira no relatório em que acusa Protógenes de patrocinar a ''participação espúria'' de agentes da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) na Satiagraha, de forma ''oficiosa'', ''clandestina'' e sem o conhecimento de seus chefes. Foram encontrados em poder de agentes dados sigilosos da apuração, como escutas, fotografias e filmagens de alvos da investigação e de pessoas que não eram investigadas.
A quebra de sigilo telefônico de Protógenes também revelou que ele falou 22 vezes com o telefone usado por um dos jornalistas da emissora, coautor das imagens, naquele dia.
O relatório diz que, ''sem motivo aparente e contrariando a prática usual'', Protógenes revelou os nomes de dois presos (Pitta e Nahas) no briefing em que orientou cerca de 200 policiais momentos antes de eles irem às ruas cumprir os mandados de buscas e apreensão. Essa conduta, diz o texto, ''teve objetivo específico de dificultar possíveis tentativas de identificar autoria de repasse de informações sigilosas para os jornalistas da TV Globo''. Para o delegado, Protógenes revelou os nomes ''na tentativa de se safar da responsabilidade que certamente lhe sobreviria''.
O relatório atribui indiretamente a Protógenes o vazamento de dados da operação revelados pela Folha de S.Paulo dois meses antes de a Satiagraha ser deflagrada.


