O primeiro relatório da auditoria realizada na Prefeitura de Jandaia do Sul (18 km a oeste de Apucarana), indica que o ex-prefeito Manoel Fernandes Maciel (PFL) foi responsável por um desvio de R$ 129 mil. O dinheiro deixou de ser abatido, como Imposto de Renda retido na fonte, da verba de representação e subsídio do próprio prefeito. O mesmo ocorreu com os salários do ex-vice-prefeito, Inei Sandro Heckert (PRN), e do ex-diretor financeiro, Fausto Nochi.
A auditoria feita pela empresa Melo Auditoria e Consultoria (Curitiba), nas contas de 1997 a 2000, apontou que o ex-prefeito recebia R$ 9,6 mil mensais, a título de verba de representação e subsídio. Do salário dele deveriam ter sido descontados R$ 2,3 mil mensais, referentes ao Imposto de Renda. Este dinheiro, de acordo com a Constituição Federal, seria obrigatoriamente cobrado e incorporado à receita do município.
Somente os valores não descontados pelo ex-prefeito Manoel Fernandes Maciel, em benefício próprio, somam R$ 110 mil. No caso de vice-prefeito o valor é de R$ 15 mil e do ex-diretor-financeiro R$ 2,8 mil. Os auditores afirmam que a irregularidade é ainda mais grave, considerando que no mesmo período todos os servidores municipais tiveram deduzidos de seus salários os valores correspondentes ao Imposto de Renda.
O atual prefeito João Biral Neto (PSDB) informou que cópias do relatório da auditoria estão sendo remetidas ao Ministério Público Federal, em Maringá, e ao Tribunal de Contas do Estado, em Curitiba. Biral também revelou que uma nova ação está sendo encaminhada à Justiça local, requerendo a indisponibilidade dos bens do ex-prefeito, até o valor correspondente ao que ele deixou de recolher aos cofres do município.
A Folha tentou ouvir ontem o ex-prefeito Manoel Fernandes Maciel, mas não conseguiu encontrá-lo. Já o ex-vice, Inei Sandro Heckert, manifestou-se ‘‘surpreso’’ com a denúncia. Ele garantiu que sua declaração de Imposto de Renda pode comprovar que não cometeu irregularidade.

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