Relatoria do caso Renan continua sob impasse
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quinta-feira, 28 de junho de 2007
Gabriela Guerreiro<BR>Folhapress 
O presidente do Conselho de Ética do Senado, Leomar Quintanilha (PMDB-TO), deixou para terça-feira a escolha do relator para processo por quebra de decoro parlamentar contra o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL). A decisão foi tomada após Quintanilha ter convidado, ''desconvidado'' e ''reconvidado'' o senador Renato Casagrande (PSB-ES) para o cargo.
Casagrande disse que o convite feito quarta-feira à noite por Quintanilha havia sido retirado. ''Um convite feito publicamente, depois com uma mudança de posição, sem dúvida, me faltou com o respeito'', disse
Mas Quintanilha negou o ''desconvite'', dizendo apenas que tinha que primeiro consultar a assessoria jurídica do Senado para averiguar eventuais falhas na condução do processo. ''Eu não quero incorrer nos equívocos, nos tropeços que ocorreram no conselho até agora. Eu não posso sair agindo fora dos limites do regimento interno e da constituição'', afirmou ele.
Após o mal-estar gerado com Casagrande, Quintanilha recuou e ligou para o colega para dizer que havia um mal-entendido. Quintanilha afirmou que o convite não havia sido retirado.
A Folha apurou que Quintanilha voltou atrás depois de perceber o desgaste que o recuo no convite provocaria na imagem de Renan.
Após o telefonema, Casagrande não respondeu a Quintanilha que continua disposto a assumir a relatoria do processo. O senador disse a interlocutores que não aceitará o cargo enquanto permanecer o clima de incerteza sobre as futuras ações do conselho.
Membro da base aliada do governo, Casagrande deixou claro que não pretende assumir a relatoria se não tiver autonomia para conduzir as investigações de forma independente, ou seja, sem pressões dos aliados de Renan.
O ''desconvite'' foi feito depois de Casagrande ter aceito relatar o caso. O problema é que Casagrande impôs condições para sua atuação ao afirmar ser favorável à ampliação das investigações sobre Renan - incluindo as movimentações financeiras do presidente do Senado. Esse posicionamento desagradou aliados do senador Renan, que querem restringir o caso à denúncia relacionadas à empreiteira Mendes Júnior.


