BRASÍLIA - Os senadores que relataram os processos de emissão de títulos de Estados e Municípios concordaram em falar à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Títulos Públicos do Senado, mas dizem ter poucos dados para ajudar nas investigações. Eles reconhecem que seus esclarecimentos só vão comprovar o que já se sabe. Ou seja, que os Estados e Municípios apresentaram informações falsas sobre seus débitos judiciais vencidos e que o Banco Central e o próprio Senado nada fizeram para comprovar a veracidade dessas informações. A proposta de ouvir os relatores é da senadora Emília Fernandes (PTB-RS).
Relator da processo de emissão de títulos de Alagoas, no valor de R$ 301 milhões, o senador Beni Veras (PSDB-CE) alegou que não tinha nenhum motivo para duvidar dos dados fornecidos pelo governador de Alagoas, Divaldo Suruagy (PMDB), e pelo Tribunal de Contas do Estado. ‘‘Só me restava acatar o pedido’’, disse. Para Beni, a senadora Emília Fernandes procura uma jeito de se projetar na CPI. ‘‘A senadora quer é notoriedade.’’
O senador Gilberto Miranda (PFL-AM), relator da emissão de títulos da prefeitura de São Paulo, concorda com o colega. Segundo ele, Emília Fernandes usurpou a sugestão feita por ele no início das investigações. ‘‘Ela está copiona’’, acusou. Miranda disse que nenhum senador se recusará a conversar com os colegas da CPI, mas que isso deve ser feito no momento certo.

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