Os dois relatores das CPIs divergiam ontem quanto à situação do deputado José Dirceu (PT-SP). A interpretação de Serraglio é que ele, como ministro da Casa Civil, era o responsável pelas nomeações para os cargos de confiança em estatais e teria comandado assim um esquema de arrecadação de recursos para partidos políticos. Já Abi-Ackel considera que Dirceu não pode ser cassado porque não exercia o mandato de deputado.
Consultada pelo conselho, a assessoria jurídica da Câmara já afirmou ser cabível a cassação de deputados que tenham quebrado o decoro parlamentar fora do exercício do mandato. Para isso, foram citados precedentes como o de Hildelbrando Pascoal (AC), cassado em setembro de 1999 acusado de envolvimento com narcotráfico e com esquema de venda de sentenças judiciais.
Apesar de a sessão ser conjunta, os integrantes da CPI dos Correios querem que sejam realizadas duas votações, uma com o plenário de cada comissão. Eles querem expor a posição de cada CPI. O procedimento seria definido amanhã pelos presidentes das duas comissões. Qualquer parlamentar pode adiar a votação pedindo vistas do processo por cinco dias úteis.
Serraglio também desistiu ontem de incluir no parecer o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), cuja campanha à reeleição ao governo de Minas recebeu dinheiro de Marcos Valério, através de caixa dois. Ele afirmou que a CPI ainda investigará esse caso. Anteontem o relator afirmou que poderia encaminhar o caso de Azeredo para a presidência do Senado. O presidente da Câmara, Severino Cavalcanti, afirmou que enviará o relatório para a Corregedoria da Casa, e não para o Conselho de Ética, o que protelaria o processo. ''Estou tentando fundamentar de forma que a Mesa da Câmara não tenha como barrar, seria apenas uma homologação.'' (Folhapress)

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