Curitiba - A corte do TRE se reuniu pela primeira vez para tratar da coligação PMDB/PSDB na segunda-feira, quando o juiz relator João Pedro Gebran Neto anunciou o seu voto contra a união dos partidos. O argumento principal do relator não estava ligado aos motivos que teriam levado o presidente nacional do PSDB, Tasso Jereissati, a anular a convenção do partido no Paraná, e sim às normas previstas no estatuto da legenda.
Pelas regras estatutárias, a executiva nacional poderia aprovar ou não o resultado de uma convenção estadual dependendo da consequência da aliança local para as eleições majoritárias do partido. O argumento da ala tucana contra a coligação é que Roberto Requião (PMDB) não apóia a candidatura do tucano Geraldo Alckmin à presidência da República.
Após o voto do relator, no entanto, o juiz Munir Abagge pediu vistas do processo, fato que adiou a decisão para ontem. O próprio juiz Abagge iniciou a sessão de ontem com seu voto, favorável à permanência da coligação, dando destaque aos argumentos já colocados na sessão anterior pelo procurador do Ministério Público Eleitoral (MPE), Néviton de Oliveira Batista Guedes. O procurador se manifestou favorável à coligação através de um parecer enviado na semana passada ao TRE.
''Coligação não é feita entre políticos, é feita entre partidos. Saber se Requião apoiará ou não o Alckmin é mero exercício de adivinhação'', disse Abagge, lembrando que ''políticos mudam de partido'' e que inclusive alguns membros do PSDB já integraram o PMDB em outros períodos.
Abagge afirmou que ''se a decisão estadual violava uma diretriz nacional, o partido deveria ter impedido que a decisão fosse tomada'', e não anulado o resultado de uma convenção já realizada. Após o voto de Abagge, o juiz Renato Andrade também deu seu voto a favor da coligação. Em seguida, os juízes Renato Bettega e José Carlos Dalacqua votaram contra a coligação, encerrando a discussão por 3 votos a 2.
A impugnação se refere tanto às eleições para governador (coligação Paraná Forte) quanto para a disputa por uma vaga na Assembléia Legislativa (coligação Paraná Mais Forte). PMDB e PSDB não estavam unidos na disputa por uma vaga na Câmara Federal. E o PMDB no Estado não lançou candidato ao Senado. (C.S.)

mockup