Relator surpreende e pede absolvição de José Mentor
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quinta-feira, 16 de março de 2006
João Domingos<br>Agência Estado 
Brasília - O deputado Edmar Moreira (PFL-MG) recomendou ontem ao Conselho de Ética a absolvição do deputado José Mentor (PT-SP). Moreira, que é relator do processo de cassação de Mentor no Conselho de Ética, afirmou que ''inexistem provas de que o deputado petista tenha quebrado o decoro parlamentar ou auferido vantagens indevidas em razão da atividade parlamentar''. Mentor foi acusado pela CPI dos Correios de receber R$ 120 mil das empresas do publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza. É o segundo dos acusados de envolvimento com o mensalão a receber parecer favorável do conselho. O primeiro foi o ex-líder do PL Sandro Mabel (GO), que conseguiu a absolvição do plenário.
O parecer de Moreira surpreendeu os integrantes do Conselho de Ética. Para evitar que a votação ocorresse, e que vencesse o voto pela absolvição de Mentor, os deputados Júlio Delgado (PSB-MG) e Moroni Torgan (PFL-MG) pediram vistas do relatório. O presidente do Conselho de Ética, Ricardo Izar (PTB-SP), marcou a próxima sessão para quinta-feira que vem, quando então será votado o relatório de Moreira. A intenção dos parlamentares que pediram vistas é fazer um outro relatório, este recomendando a cassação.
A mudança de atitude de Edmar Moreira ao longo de dois meses ficou evidente. Durante o interrogatório de Mentor, nos dias 17 de janeiro e 2 de fevereiro, ele imprensou o colega na parede, disse que vasculharia os dois recibos que o petista tem e que apresentou como prova de que os R$ 120 mil recebidos de um sócio e de uma empresa de Marcos Valério foram dados em pagamentos de consultas jurídicas feitas por seu escritório de advocacia. Moreira justificou sua mudança de posição. Disse que não é justiceiro. ''O justiceiro faz justiça com as próprias mãos; eu não''.


