Agência Estado
De Brasília
O relator da CPI do Narcotráfico, deputado Moroni Torgan (PSDB-CE), vai pedir à mesa da Câmara a prorrogação dos trabalhos até junho de 2000, depois que recebeu parte da documentação sobre lavagem de dinheiro envolvendo bancos e pessoas físicas. Segundo levantamentos do Ministério Público e da Polícia Federal, pelo menos a metade dos R$ 124 bilhões remetidos ao exterior nos últimos seis anos, por intermédio das contas CC-5, do Banco Central, seria dinheiro sem origem fiscal e ‘‘lavado’’ por narcotraficantes.
Os relatórios sobre investigações que a comissão recebeu ontem comprometem pelo menos 200 pessoas, empresas e instituições financeiras. Uma delas remeteu para o exterior R$ 1,6 bilhão somente nos últimos dois anos. Há ainda o exemplo de um banco desconhecido, que atua na Região Sul, que enviou ao exterior R$ 2,3 bilhões, mas sem registro de operações no mercado interno que justifiquem tamanha remessa.
O relatório aponta ainda suposta participação de um banco oficial de crédito em operação suspeita, ao emprestar mais de US$ 50 milhões a uma empresa que estaria quase falida. Moroni Torgan disse que recebeu muita documentação do Ministério Público e da PF, mas insistiu que há uma resistência dos bancos brasileiros em enviar as informações ao Banco Central.
Segundo relatório do Ministério Público, no entanto, a resistência seria do próprio BC. Os procuradores apontam o ‘‘obscurantismo’’ do banco ao apresentar dados que não permitem a investigação do crime de lavagem.
Moroni esclareceu que os cálculos do Ministério Público não incluem a lavagem feita pelas casas de câmbio, que também estão sendo investigadas pela CPI. O relator disse que até o momento não recebeu mais do que 5% das informações que esperava para tentar elucidar a extensão da lavagem de dinheiro no Brasil. Para ter mais prazo para investigar a lavagem, Moroni vai pedir a prorrogação dos trabalhos da comissão, pelo menos até junho do próximo ano.

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