Relator quer convocar banqueiros
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quarta-feira, 12 de maio de 1999
Agência Estado 
Principal articulador do acordo que adiou, mas não descartou a presença do ministro da Fazenda, Pedro Malan, à CPI dos Bancos, o PMDB prepara uma segunda ofensiva para não deixar esvaziar os trabalhos da comissão. O relator da CPI, senador João Alberto Sousa (PMDB-MA), vai propor a convocação para daqui a duas semanas, dos dirigentes de bancos que tiveram grandes lucros com a desvalorização cambial.
Esta será a segunda fase da CPI e ainda temos 90 dias de chão pela frente, sustentou o relator, afirmando que é muito cedo para dizer que os trabalhos da comissão estão caminhando para um desfecho. O depoimento do secretário da Receita Federal, Everardo Maciel, está sendo esperado até mesmo como uma referência à CPI para definir seus rumos.
Os senadores querem ouvir o secretário sobre a evasão fiscal por meio de brechas legais no envio de remessas ao exterior e nos ganhos obtidos por bancos na véspera da mudança cambial, ou o que Everardo Maciel denomina elisão fiscal. João Alberto quer reunir os dados que obtiver de Maciel para abastecer um outro capítulo que justificou a criação da CPI do Sistema Financeiro, a denúncia de sonegação fiscal por parte de bancos estrangeiros.
Enquanto isso, começa a se formar na CPI a convicção de que o ministro da Fazenda, Pedro Malan, deve receber um convite, e não uma convocação, para ir à comissão falar do sistema financeiro e de propostas de mudança da legislação. A ida de Malan ocorreria no final das investigações. A idéia foi lançada ontem pelo presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA).
O ministro vai ser convidado e aceitará prontamente, disse ACM, ao explicar que esta seria uma maneira elegante de levar Malan à comissão, já que ele próprio teria manifestado interesse de comparecer a uma audiência para dar sugestões. Temos de discutir inclusive qual o melhor local para Malan vir, se na CPI ou na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), onde o ministro já foi tantas vezes e é o fórum adequado para discutir o sistema financeiro e sua legislação, defendeu o senador Romero Jucá (PSDB-RR).
Sobre os rumores de que Malan soube da operação de socorro do Banco Central aos bancos Marka e FonteCindam, Antonio Carlos Magalhães frisou que Malan e o ex-presidente do BC Francisco Lopes não tinham um bom relacionamento. Lopes não foi indicação de Malan e, não tendo sido, não poderia dar certo..., afirmou ACM.
Enquanto a maioria dos senadores afirma não ver razões para a presença de Malan para falar do caso Marka-FonteCindam, Lopes é apontado pela comissão como o responsável pela operação de venda de dólares abaixo do preço de mercado às duas instituições.


