Brasília - O deputado Rodrigo Maia (PFL-RJ), relator da comissão mista que avalia medida provisória do salário mínimo, aponta como fontes alternativas para arcar com o aumento do mínimo para R$ 275 recursos destinados à compra do avião presidencial (R$ 143,8 milhões), as verbas para a criação de 2.797 cargos em comissão para o Executivo (R$ 93,5 milhões), R$ 1,7 bilhão extra anunciados pelo presidente para a reforma agrária e os R$ 312,4 milhões para o aumento da estrutura ministerial. ''Quando o governo quer, ele encontra as fontes de recursos. Foi o caso dos recursos extras para a reforma agrária que não serão todos gastos este ano e, por isso, podem ir para um aumento melhor do mínimo'', argumentou Maia.
Ontem, por falta de quórum, a comissão não votou o relatório por causa de uma estratégia montada pelo Palácio do Planalto para evitar o desgaste de deputados e senadores da base governista. A idéia é derrubar os R$ 275 no plenário da Câmara e aprovar a medida provisória original assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que fixou o mínimo em R$ 260.
Era necessária a presença de, pelo menos, 14 do total de 26 parlamentares que integravam a comissão mista. Mas só 13 apareceram. Coube ao deputado Virgílio Guimarães (PT-MG) e ao vice-líder do governo na Câmara, Beto Albuquerque (PSB-RS), ficarem na comissão para defender o mínimo de R$ 260.
A votação do mínimo de R$ 275 no plenário da Câmara faz parte de acordo fechado na semana passada entre o PSDB e o PFL com o presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP).

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