Brasília - O deputado Moroni Torgan (PFL-CE), relator do processo contra o deputado Vadão Gomes (PP-SP) no Conselho de Ética da Câmara, pediu ontem a cassação do mandato do parlamentar, acusado de ser um dos beneficiários do ''valerioduto''. A votação, no entanto, foi prorrogada para a próxima quarta-feira devido a um pedido de vista do deputado Nelson Trad (PMDB-MS). O adiamento da sessão provocou uma troca de acusações entre os conselheiros.
Trad alegou que o quórum estava baixo para que a votação fosse realizada 11 dos 15 membros do Conselho estavam presentes na reunião. ''Vou requerer vista porque não posso admitir que aqui se exerça a mesma estratégia do plenário de esvaziamento da sessão. Quem faz isso não pode ser considerado como esperto'', justificou. O deputado Edmar Moreira (PFL-MG) ironizou o argumento do peemedebista. ''A tabuada que o senhor estudou eu também estudei. Se for para protelar a votação que fale logo. Não é possível argumentar falta de quórum se temos 11 votantes num total de 15.''
No relatório, Moroni Torgan considerou que as provas apresentadas por Vadão em sua defesa são frágeis e constatou que o acusado ''aceitou vantagem indevida'' e, portanto, feria o decoro parlamentar. ''A Câmara dos Deputados tem o dever de excluí-lo de seu corpo. Tal atribuição é inafastável'', disse o relator.
Em sua defesa, Vadão disse que nas datas em que o empresário Marcos Valério Fernandes de Souza entregou pessoalmente o total de R$ 3,7 milhões em dinheiro vivo ele não estava em São Paulo. Como prova, o deputado apresentou os registros de seu avião particular, que estaria em outro Estado, e dados de seu sigilo telefônico, que comprovariam que ele estava em Goiás neste período.

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