Relator pede arquivamento do processo contra Renan
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quarta-feira, 13 de junho de 2007
Renata Giraldi<br>Folhapress 
Brasília - Em uma sessão tensa e repleta de discussões, o presidente do Conselho de Ética do Senado, Sibá Machado (PT-AC), adiou para sexta-feira a votação do relatório apresentado pelo senador Epitácio Cafeteira (PTB-MA) no processo de decoro parlamentar contra Renan Calheiros (PMDB-AL). O relator sugeriu o arquivamento do processo, alegando inconsistências nas denúncias e falta de provas. ''Não quero fazer aqui um cabo de guerra. Houve um procedimento normal'', afirmou Sibá.
Segundo ele, é desnecessário tomar depoimentos. Porém, admitiu que se o relatório for rejeitado na sexta-feira, outro relator será designado e poderá determinar que envolvidos nas denúncias prestem esclarecimentos.
A iniciativa do relator - pedindo o arquivamento - provocou contestações do PDT, PSDB, DEM, PSOL e PSB. Os líderes dos cinco partidos pediram vista, um prazo maior para examinar o relatório antes que fosse à votação. Para os senadores, Cafeteira foi apressado na sua avaliação e deveria ter ouvido testemunhas citadas no caso. ''Este dia é um desastre para o Senado'', reagiu o líder do PDT no Senado, Jefferson Peres (AM).
Na sexta-feira, o líder da minoria no Senado, Demóstenes Torres (DEM-GO), pretende apresentar um voto em separado, propondo um novo relatório e a possibilidade de serem tomados depoimentos para aprofundar as investigações. Na opinião dele, devem ser ouvidos, no mínimo, a jornalista Mônica Veloso - com quem Renan tem uma filha fora do casamento - e o lobista Cláudio Gontijo.
Renan é acusado de usar dinheiro da construtora Mendes Júnior para pagar despesas pessoais. A intermediação seria feita pelo lobista Cláudio Gontijo, da Mendes Júnior, que é apontado como o responsável por pagar a pensão alimentícia e o aluguel da jornalista.
O presidente do Senado não apareceu na reunião, mas determinou que a sessão do Senado fosse suspensa até a conclusão da discussão no Conselho de Ética.
Cafeteira concluiu o relatório em menos de 48 horas, como ele próprio admitiu, afirmando ter encerrado o trabalho terça-feira às 22h. Segundo ele, foi rápido ''porque o Senado sangra'' com as denúncias envolvendo o presidente da Casa. Ao longo da sessão de ontem, ele repetiu várias vezes que não queria ser o relator do processo. ''Eu sabia que eu ia ser malhado. E, vou ser malhado amanhã'', disse ele. ''Não estou brincando realmente estou querendo me (livrar) de uma missão espinhosa.''
De acordo com ele, denúncias baseadas em reportagens publicadas na imprensa não comprovam nada que desabone o presidente do Senado.
O advogado de Renan, Eduardo Ferrão, discursou por mais de 20 minutos e apelou para o espírito de grupo dos senadores.
''Querem arrastar o presidente do Senado para a Operação Navalha e a Casa quer deixar'', disse o advogado. ''As instituições serão questionadas. Só o que vale são a polícia e a mídia'', acrescentou ele.


