Relator extingue privilégios de inativos
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quarta-feira, 07 de maio de 1997
Agência Estado 
BRASÍLIA - O relator da reforma da Previdência, senador Beni Veras (PSDB-CE), apresentará seu substitutivo aos integrantes da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) no próximo dia 15. Beni Veras alterou vários pontos do texto aprovado na Câmara dos Deputados, extinguindo privilégios defendidos por lobbies resistentes, como o dos inativos do serviço público e os dos fundos de pensão das empresas estatais. Ainda assim, ele disse que as mudanças foram bem recebidas pelos seus colegas.
Segundo o relator, os senadores entenderam que a Previdência Social não pode continuar favorecendo certos grupos em detrimento de outros. Beni informou que a pressão de entidades e setores que sentiu no início dos trabalhos deixou de existir no momento em que ficou claro que não aceitaria esse tipo de interferência. A pressão passou porque não resultou em nada, afirmou.
Um dos pontos mais visados pelo lobby dos aposentados no substitutivo do relator é o que acaba com a perseguidora, como é chamada a paridade no aumentos dos servidores públicos ativos e inativos. Beni garantiu aos inativos aposentadoria no valor real de seu salário quando em atividade, mas sem que isso implique na obrigatoriedade de transferir para eles as melhorias concedidas a servidores ativos. O texto também derrubou a tentativa dos fundos de pensão das estatais de manter o sistema atual, em que as empresas pagam duas vezes a contribuição do empregado. O relator estipulou que os fundos terão um ano para uniformizar a contribuição das empresas e dos beneficiados.
A reforma da Previdência tramita no Senado de uma forma completamente nova, sem grandes alardes e movida a conversas informais com o relator, os líderes governistas e o ministro da Previdência, Reinhold Stephanes. O procedimento tem sido apoiado pela maioria dos senadores. Para o senador Lúcio Alcântara (PSDB-CE), Beni Veras está agindo com muita prudência. Temos que botar na cabeça que a reforma da Previdência tem que ser conduzida de forma lenta, defendeu.
O líder da oposição, José Eduardo Dutra (PT-SE) apontou uma justificativa para o estilo diferente de tramitação dessa reforma. Segundo ele, o governo está preocupado em agir sem fazer marolas para não interferir na votação da emenda da reeleição. Segundo ele, o Executivo quer colocar a Previdência debaixo do tapete enquanto o Senado vota a reeleição.


