BRASÍLIA - O relator da reforma da Previdência, senador Beni Veras (PSDB-CE), apresentará seu substitutivo aos integrantes da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) no próximo dia 15. Beni Veras alterou vários pontos do texto aprovado na Câmara dos Deputados, extinguindo privilégios defendidos por ‘‘lobbies’’ resistentes, como o dos inativos do serviço público e os dos fundos de pensão das empresas estatais. Ainda assim, ele disse que as mudanças foram bem recebidas pelos seus colegas.
Segundo o relator, os senadores entenderam que a Previdência Social não pode continuar favorecendo certos grupos em detrimento de outros. Beni informou que a pressão de entidades e setores que sentiu no início dos trabalhos deixou de existir no momento em que ficou claro que não aceitaria esse tipo de interferência. ‘‘A pressão passou porque não resultou em nada’’, afirmou.
Um dos pontos mais visados pelo lobby dos aposentados no substitutivo do relator é o que acaba com a ‘‘perseguidora’’, como é chamada a paridade no aumentos dos servidores públicos ativos e inativos. Beni garantiu aos inativos aposentadoria no valor real de seu salário quando em atividade, mas sem que isso implique na obrigatoriedade de transferir para eles as melhorias concedidas a servidores ativos. O texto também derrubou a tentativa dos fundos de pensão das estatais de manter o sistema atual, em que as empresas pagam duas vezes a contribuição do empregado. O relator estipulou que os fundos terão um ano para uniformizar a contribuição das empresas e dos beneficiados.
A reforma da Previdência tramita no Senado de uma forma completamente nova, sem grandes alardes e movida a conversas informais com o relator, os líderes governistas e o ministro da Previdência, Reinhold Stephanes. O procedimento tem sido apoiado pela maioria dos senadores. Para o senador Lúcio Alcântara (PSDB-CE), Beni Veras está agindo ‘‘com muita prudência’’. ‘‘Temos que botar na cabeça que a reforma da Previdência tem que ser conduzida de forma lenta’’, defendeu.
O líder da oposição, José Eduardo Dutra (PT-SE) apontou uma justificativa para o estilo diferente de tramitação dessa reforma. Segundo ele, o governo está preocupado em agir ‘‘sem fazer marolas’’ para não interferir na votação da emenda da reeleição. Segundo ele, ‘‘o Executivo quer colocar a Previdência debaixo do tapete enquanto o Senado vota a reeleição’’.

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