O senador Carlos Wilson (PPS-PE), escolhido relator da representação para abertura de processo na Mesa Diretora do Senado por quebra de decoro contra os senadores Antonio Carlos Magalhães e José Roberto Arruda, admitiu ontem que poderá concluir o parecer em até 24 horas. ‘‘Antes do sétimo dia – prazo máximo para apresentação do parecer – estará pronto. Tenho pressa e posso concluir em até 24 horas, mas não serei açodado’’, ressalvou. ‘‘Se precisar, entro pela madrugada lendo as mais de 2 mil páginas do processo para concluir logo meu trabalho’’, acrescentou Wilson, que tenta, com isso, derrubar ilações de que a Mesa Diretora do Senado colabora com a protelação do processo, favorecendo Arruda e ACM.
Ontem, o presidente do Congresso, senador Jader Barbalho (PMDB-PA), usou a tribuna do Senado para rechaçar as insinuações de que o prazo máximo de 15 dias úteis concedido à Mesa para concluir a elaboração da representação favorecia o adversário. ‘‘Não estou fazendo concessões’’, afirmou Jader. - ‘‘Não vou aceitar nenhum tipo de pressão para atropelar o Regimento Interno do Senado e nem que se diga que estou fazendo favor a ninguém’’, afirmou.
Wilson adiantou que, para elaborar o relatório, vai se basear no parecer do senador Roberto Saturnino Braga. ‘‘Ele fez um trabalho profundo e traduziu tudo o que aconteceu na violação do painel. Por isso, será o meu referencial.’’ O senador pernambucano informou ainda que conversará com os outros seis membros da Mesa para que o relatório seja fruto de consenso. ‘‘Não temo pressões’’, afirmou o novo relator, que discordou do ex-ministro da Fazenda Ciro Gomes, do PPS, partido dele, de que esteja havendo linchamento em relação aos dois senadores acusados.
Aprovada na Mesa, a representação volta ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado, que abre prazos para defesa. O processo passará ainda pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e, somente então, seguirá para o plenário decidir em votação fechada se cassa ou não os dois senadores.

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