Relator do processo contra Borba e Meger sai na terça
O presidente em exercício da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, Nelson Otoch (PSDB-CE), deverá designar, assim que chegar em Brasília, na terça-feira, o relator do processo sobre a cassação dos deputados José Borba (PTB-PR) e Valdomiro Meger (PFL-PR), acusados de fraudar a votação da reforma previdenciária.
Mas, dentro do Congresso, não há mais dúvidas entre os parlamentares: os dois deverão ser cassados pela fraude que cometeram. A Câmara comprovou que em quatro votações, na noite da última quarta-feira, Borba votou com a senha secreta de Meger, que estava em Maringá, no Paraná, participando de um encontro com usineiros. A fraude dos dois deputados pianistas foi flagrada pelas câmeras da TV Câmara.
Eles vão acabar cassados, afirmou o deputado Ricardo Gomyde (PC do B-PR), dizendo-se impressionado com o fato de como as relações entre deputados vão se deteriorando com a proximidade das eleições. Gomyde referia-se à antiga amizade entre Borba, Meger e os deputados Ricardo Barros (PPB-PR) e Odílio Balbinotti (PSDB-PR). Anteontem, Borba assumiu inteiramente a culpa pela votação fraudulenta, livrando o colega de cumplicidade. Enquanto isso, Meger dizia-se inocente, afirmando que não emprestara a senha a Borba. Balbinotti foi apontado como o delator do pianista, que, segundo companheiros, pretendia atingir Barros. Barros, por sua vez, é muito amigo de Meger e, atualmente, inimigo de Balbinotti.
Políticos paranaenses, ligados a Borba e Meger, garantem que está sendo preparado o troco político a Balbinotti, apontado como denunciante da fraude dos dois pianistas. Segundo um político da região, o ataque ao deputado seria feito com a denúncia de que uma obra patrocinada por Balbinotti teria sido paralisada por estar repleta de irregularidades. Pelo jeito, vai sobrar lama para todos os lados, prevê um político da região.
Não só o deputado que votou, mas também o outro tem de ser cassado porque isto é falsificação de voto e, portanto, crime de falsidade, defendeu o deputado Hélio Bicudo (PT-SP), que participou de algumas sindicâncias para apurar denúncias contra deputados.
O deputado federal Odílio Balbinoti (PSDB) disse ontem, em Maringá, que não é responsável pela denúncia de que um parlamentar - José Borba (PTB-PR) - estaria votando em nome de Valdomiro Meger (PFL-PR). Balbinoti disse que tem o hábito de acompanhar os votos pelo painel da Câmara, e durante a sessão de quarta-feira notou o registro do nome de Meger. Sabia que o Meger estava em Maringá, e procurei o presidente (Michel Temer) para comunicar o fato, quando Temer me disse que já sabia da irregularidade, afirma Balbinotti. Ele acha que a falta é grave, mas não quis se aprofundar na opinião sobre as providencias que devem ser tomadas.
Meger, Balbinotti e Ricardo Barros (PPB) se desentenderam no início da semana por causa de recursos para a obra de um viaduto que está em construção no trecho urbano da BR 376, em Maringá. Balbinotti acusou Meger e Barros de estarem segurando a verba de R$ 1 milhão, incluída no orçamento da União, junto ao Ministério dos Transportes. Eles foram até o ministro Eliseu Padilha e pediram para o dinheiro não ser liberado porque fui eu que consegui, afirma Balbinotti. Tanto Meger como Barros alegam que nunca trataram do assunto do viaduto com o ministro, e dizem que Balbinotti está mentindo porque a obra, iniciada há quase um ano está parada, atrapalhando o tráfego na rodovia. (Agência Estado e Marcos Zanatta, da Sucursal de Maringá)





