Relator do PP pode perder posto na CPI do Mensalão
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segunda-feira, 25 de julho de 2005
Christiane Samarco<br> Agência Estado 
Brasília - A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Mensalão deverá fazer a primeira reunião de trabalho hoje, mas administra a primeira crise interna. Escolhido relator na semana passada, o deputado Ibrahim Abi-Ackel (PP-MG) corre o risco de perder o posto por causa do envolvimento numa denúncia publicada pela revista ''Época'' que circulou no fim de semana. De acordo com a notícia, Abi-Ackel foi beneficiário de uma doação de R$ 50 mil, feita em 1998, pelo empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, para a campanha a deputado.
Uma decisão foi tomada, independentemente das confusões: o ex-presidente nacional do PTB Roberto Jefferson será ouvido no dia 3. Foi ele quem denunciou a existência da mesada.
''Vamos ouvir o Abi-Ackel'', antecipou ontem o vice-presidente da CPI, deputado Paulo Pimenta (PT-RS), ao informar que o primeiro item da pauta de debates da comissão será o período a ser investigado. Nota de esclarecimento divulgada por Abi-Ackel em Belo Horizonte dá conta de que a contribuição referida pela revista foi feita pelo setor financeiro da campanha majoritária do então candidato tucano a governador de Minas Gerais e hoje presidente nacional do PSDB, senador Eduardo Azeredo.
O relator afirma na nota que ''jamais conheceu nem conhece o sr. Marcos Valério''. Esclarece, ainda, que o depósito foi efetuado por ordem de Cláudio Mourão, que coordenava as finanças da campanha de Azeredo, que se utilizou de uma agência de publicidade sobre a qual não pesava qualquer suspeita à época.
Em resposta a Abi-Ackel, o presidente do PSDB divulgou outra nota à imprensa ontem, esclarecendo que a campanha a governador de Minas foi realizada pela agência Duda Mendonça e que a prestação de contas, cujo valor totalizou R$ 8,55 milhões, foi integralmente aprovada pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) mineiro. O senador considera que trazer esta questão a debate, neste momento, é tentativa de desviar o foco das graves denúncias de corrupção que envolvem setores do governo e partidos aliados.
Não é à toa que os petistas da CPI do Mensalão estão decididos a esticar as investigações pela última década.
Diferentemente da CPI dos Correios, que fixou o prazo do inquérito em denúncias de corrupção ocorridas entre 2000 e 2005, eles querem que esta comissão comece a investigar a partir de 1995, em tempo de pegar o caso da suposta compra de votos para aprovar a reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso.
Pimenta confirma que a idéia é pedir a quebra do sigilo bancário, fiscal e telefônico do empresário Valério de 1995 para cá.


