Relator do caso Renan se afasta do cargo
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segunda-feira, 18 de junho de 2007
Rosa Costa eAna Paula Scinocca<BR>Agência Estado 
Brasília - O presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), teve ontem um forte indício de que, apesar de ainda contar com a maioria dos votos, o apoio incondicional de alguns colegas no Senado começa a desmoronar. A mudança ficou patente na dificuldade enfrentada pelo presidente do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Casa, Sibá Machado (PT-AC), para indicar um relator substituto que concorde em arquivar a denúncia contra ele - alguém que endosse o parecer inocentando-o da suspeita de quebra de decoro parlamentar, como fez o senador Epitácio Cafeteira (PTB-MA). Relator inicial do processo, por volta das 10h30 de ontem, Cafeteira avisou a Machado que, por recomendação médica, ficará dez dias afastado do cargo.
O presidente do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado começou a procurar um ''voluntário'' por volta das 11 horas. Depois de quatro horas, sem a concordância de nenhum dos possíveis candidatos, Machado informou que ele próprio assumiria a relatoria em caráter temporário, ''para não atrapalhar os trabalhos''. A vaga, portanto, continua aberta. Ele retomaria as consultas ontem à noite. Machado conversou no gabinete com os senadores Leomar Quintanilha (PMDB-TO), Walter Pinheiro (PMDB-MG) e Augusto Botelho (PT-RR). Consultado, o corregedor Romeu Tuma (PFL-SP) alegou que não poderia acumular as duas funções.
Em entrevista aos jornalistas, Sibá Machado disse que espera ter em mãos hoje à tarde o relatório da Polícia Federal sobre a perícia dos documentos apresentados na defesa de Renan Calheiros. As notas fiscais e guias de transporte comprovariam, segundo Calheiros, a existência de fundos para o pagamento de pensões para a jornalista Mônica Veloso, com quem ele teve um filho.
Contudo, o presidente do Conselho de Ética não descartou a possibilidade de adiar a votação caso o relatório não fique pronto até amanhã. ''Isso depende do trabalho da Polícia Federal. Se não chegar até o final do dia desta terça-feira, eu serei obrigado a prorrogar a data da reunião'', disse. Indagado se ele teria conversado com os membros do conselho sobre a decisão de acumular a relatoria, o senador respondeu: ''Além de mim, só conversei comigo mesmo.'' No início da noite de ontem, Sibá anunciou que o relatório somente será votado quarta-feira.
Segundo as regras do Senado, apesar de o presidente acumular a relatoria, o relatório não pode ser alterado. Cafeteira defendeu que não há provas suficientes contra Renan Calheiros para abrir a investigação e recomendou o arquivamento da representação. (Com Agência Brasil)


