Brasília - Relator do processo do mensalão no Supremo Tribunal Federal, o ministro Joaquim Barbosa votou ontem pela condenação do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu pelo crime de corrupção ativa e o colocou como o mentor do mensalão, o esquema de compra de apoio no Congresso Nacional para garantir a aprovação de projetos de interesse do governo Lula.
''José Dirceu detinha o domínio final dos fatos, em razão do elevadíssimo cargo atuava em reuniões fechadas, jantares, encontros secretos, exercendo comando e dando garantia ao esquema criminoso com divisão de tarefas'', afirmou Joaquim Barbosa. ''José Dirceu mantinha influência superlativa sobre os corréus'', acrescentou.
Em seu voto, Barbosa afirmou que Dirceu controlava o esquema, organizava o que era necessário para viabilizar os pagamentos, negociava os empréstimos bancários fraudulentos que alimentaram o mensalão com as diretorias do BMG e do Banco Rural e acertou com os líderes partidários a distribuição do dinheiro. Para isso, se valeu daqueles que foram apontados como operadores do mensalão - o empresário Marcos Valério e o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares.
''O conjunto probatório, sobre os pagamentos efetuados por Delúbio Soares e Marcos Valério a parlamentares, colocam o então ministro da Casa Civil na posição central da organização e da prática como mandante das promessas de pagamento das vantagens indevidas a parlamentares para apoiar o governo'', afirmou Joaquim Barbosa.
Depoimentos prestados por deputados beneficiados, reuniões entre instituições financeiras e Dirceu na Casa Civil e a atuação de Marcos Valério em sintonia com o então ministro do governo Lula comporiam o ''mosaico'' citado pelo relator do processo para mostrar quem comandava o esquema.
Condenações
O ministro Joaquim Barbosa também votou pela condenação por corrupção do ex-presidente do PT José Genoino, do ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares, do publicitário Marcos Valério e de outros cinco réus. Ele absolveu apenas o ex-ministro dos Transportes Anderson Adauto e a ex-funcionário de Valério, Geiza Dias, descrita como ''mequetrefe'' por sua defesa.

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