Brasília - O deputado Júlio Delgado (PSB-MG), relator do processo de cassação contra José Dirceu (PT-SP) no Conselho de Ética, disse ontem que pretende incluir em seu relatório final a denúncia de que a Casa Civil teria atuado para favorecer José Carlos Becker (PT-PR), o Zeca Dirceu, filho do ex-ministro.
Delgado diz que a denúncia de suposto favorecimento a Zeca não deve ser usada como prova, mas como fundamentação do processo por quebra de decoro parlamentar. ''Usar como prova é difícil porque ainda não há uma denúncia formal. Mas com certeza os dados apresentados serão aproveitados.''
Delgado também anunciou ontem o encerramento da instrução do processo. Formalmente, isso significa o término dos trabalhos de coleta de depoimentos, documentos e provas. ''Em virtude disso, nenhum fato novo poderá ser utilizado como prova nem pela defesa nem pela acusação'', disse. Delgado informou que pretende terminar o relatório até terça-feira, quando deverá fazer a leitura aos demais integrantes do conselho.
O processo contra Dirceu foi aberto a pedido do presidente do PTB, Flávio Martinez, após as denúncias do então deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) de que Dirceu seria o mentor do esquema do ''mensalão''.
Em sua defesa, Dirceu argumenta que o conselho não tem competência para julgá-lo porque as denúncias se referem a período em que era ministro da Casa Civil. A fim de impedir a continuidade do processo, Dirceu entrou com um mandado de segurança com pedido de liminar no Supremo Tribunal Federal (STF). Ontem, o ministro Sepúlveda Pertence, relator do caso, anunciou que irá compartilhar a decisão com os colegas do STF.

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