Relator defende mudança na direção do Banestado
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sábado, 08 de março de 1997
Ivan Santos Sucursal de Curitiba 
O relator da CPI dos Precatórios, senador Roberto Requião (PMDB), disse ontem que o governador Jaime Lerner deve afastar a diretoria do Banestado, caso não queira ser responsabilizado pela compra de R$ 274 milhões em títulos precatórios emitidos irregularmente por Estados e municípios e adquiridos pela corretora do banco. Se o governo não tem culpa, que afaste a diretoria do banco e faça uma investigação com a ajuda do Banco Central e do Senado, disse Requião.
Para o senador, ao comprar os títulos precatórios de Alagoas, Pernambuco e Osasco (SP), que estão sob investigação na CPI, o Banestado se tornou um dos principais sustentadores da quadrilha dos precatórios. Não haveria quadrilha se não houvesse comprador final, afirmou.
Segundo Requião, o banco paranaense arcou com um prejuízo ainda não calculado ao comprar os títulos no mercado secundário, quando poderia tê-lo feito diretamento nos leilões feitos pelos Estados e municípios, com um deságio de mais de 30%. O Banestado comprou o que não devia e agora terá que explicar com quem ficou esse dinheiro, questionou ele.
Em alguns casos, segundo o senador, os títulos foram comprados pelas corretoras no mercado primário com deságio de até 37% pela manhã e revendidos no mercado secundário às corretoras dos bancos estaduais pelo preço de face no mesmo dia à tarde. O relator confirmou que a diretoria do Banestado está na lista dos próximos convocados, mas disse que ainda não há previsão sobre quando deverá acontecer esse depoimento. Eles terão que esclarecer quanto pagaram e qual a rentabilidade desse títulos, afirmou.
ProrrogaçãoRequião acha que a CPI precisará de prorrogação de pelo menos mais 90 dias além do prazo original para o término dos trabalhos, antes programado para 22 de abril. Na quinta-feira, o presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) disse que a CPI terá somente uma prorrogação de 45 dias, pois já tem elementos suficientes para concluir os trabalhos. Quem define se a comissão tem elementos ou não para encerrar a investigação sou eu como relator, retrucou ontem o senador paranaense.


