SALÁRIOS Relator defende mínimo de R$ 160 Edinelson Alves De Brasília Especial para a Folha A fixação do novo salário mínimo não é apenas uma questão econômica, mas um verdadeiro leilão com os partidos querendo faturar politicamente em cima desse assunto. Quem está no meio desse fogo cruzado é o deputado Eduardo Paes (PTB-RJ), escolhido para ser o relator da comissão especial que estuda critérios técnicos para estabelecer o novo valor do salário mínimo. Advogado com especialização em política pública de Governo, ele diz que o mínimo não pode ser inferior a R$ 160,00 e nem perto de R$ 180,00. Paes avalia que esse valor só seria possível, como tem defendido o PFL, se o reajuste fosse diferenciado. Ou seja, o novo valor máximo não valeria para os pensionistas da Previdência. ‘‘Do universo de 20 milhões de pessoas que serão beneficiadas com o novo valor, 90% são da Previdência. Se desvincular, apenas dois milhões seriam beneficiados. Por isso, o reajuste desvinculado pode ser uma realidade. Quando se joga o aumento para toda a pirâmide, há um impacto sete vezes maior. Em vez dos R$ 3,5 bilhões de déficit, teríamos R$ 27 bilhões’’. Mas o relator defende um aumento real para o mínimo alegando que não há chance de ficar abaixo de R$ 160,00. Sobre de onde sairá o dinheiro para cobrir o novo salário, o deputado carioca deixou claro que não vai sugerir nenhum aumento de imposto e criticou a falta de empenho do governo para a concretização da reforma tributária. Uma das saídas seria utilizar recursos do Fundo da Pobreza, cujo objetivo desde sua criação é investir em política de distribuição de renda. Mas não está descartada que as fontes de financiamento possam vir do próprio orçamento do governo. Umas de suas preocupações - diz - é ouvir os mais diversos representantes do Congresso. Para Eduardo Paes a concessão do auxílio moradia para os juízes no valor de R$ 3 mil acabou beneficiando e fortalecendo a discussão sobre a necessidade de um aumento mais significativo para o valor do mínimo. ‘‘Se o magistrado está neste desespero a ponto de o Supremo tomar uma decisão esdrúxula como essa, as pessoas precisam de aumento real. Eu sou um defensor da estabilidade, mas há um limite’’. ‘‘Alguns estudos estão sendo feitos e vamos analisar a viabilidade futura de cada unidade da federação’’. A definição do novo mínimo pela Câmara é um assunto tão emergente que a comissão vai se reunir amanhã, em plena terça-feira de Carnaval. Além da pressão do PFL, PMDB e PSDB, Eduardo Paes terá pela frente a oposição do PT. O deputado Paulo Paim (PT-RS), vai defender o mínimo de R$ 196. Para chegar a esse valor ele comparou o aumento com base na fixação do teto do funcionalismo em R$ 11,5 mil, com a possibilidade de um ‘‘teto duplex’’ de mais R$ 11,5 mil, totalizando R$ 23 mil. Após o Carnaval, Paim vai apresentar uma emenda estabelecendo que o mesmo percentual de reajuste dado para os salários máximos do serviço público seja dado para o salário mínimo. ‘‘Por uma questão de coerência, é o mesmo que se deve dar para o mínimo. Por que garantir um percentual maior para o rico do que para o pobre?’’, argumenta.