O relator do processo contra o senador Luiz Estêvão (PMDB-DF) no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado, Jefferson Peres (PDT-AM), concluiu pela perda de mandato do parlamentar, no parecer apresentado ontem. Estêvão é acusado de desviar R$ 169 milhões da obra superfaturada do Fórum Trabalhista de São Paulo. Após a apresentação, houve tumulto e violência num dos corredores do Senado entre seguranças e manifestantes contrários a Estêvão, que ficou no meio da pancadaria. No parecer, que será votado no dia 14, Peres considerou que Estêvão quebrou decoro parlamentar e alega que ele não tem mais condições de exercer a função de senador, diante das acusações.
O presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), afirmou que o pedido será apreciado pelo plenário antes do recesso de julho. ‘‘Tais fatos acabaram por se refletir no exercício de seu mandato de senador, a tal ponto que se acha impossibilitado de ocupar postos de direção e exercer funções de relevância no Senado, em face da reação que provoca e do constrangimento que causa nos demais senadores’’, diz o parecer de Peres ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado.
Peres, que acolheu a representação feita por sete partidos de oposição, referiu-se ao recente episódio da indicação de Estêvão para uma sub-relatoria do Plano Plurianual de Investimentos (PPA). Pressionado pelos partidos de oposição e até pelo PMDB, o senador teve de renunciar à função.
Depois de deixar a sala do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, o presidente nacional do PMDB e líder do partido no Senado, Jáder Barbalho (PA), admitiu que o envolvimento no desvio de recursos públicos é um ‘‘incômodo’’ para o PMDB. ‘‘Eu gostaria de estar dando entrevista agora sobre outras coisas.’’ ‘‘Prefiro tratar de coisas mais agradáveis e mais gratificantes’’, disse o líder, que foi vaiado, ao sair da sala no momento em que manifestantes aguardavam Estêvão.

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