Relator decide parar 2º processo contra Renan
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terça-feira, 25 de setembro de 2007
Ana Paula Scinocca<br>Agência Estado 
Brasília - O senador João Pedro (PT-AM) admitiu ontem que tomará uma decisão política, ao pedir a interrupção da segunda representação contra o presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL).
Pedro resolveu fazer o pedido com medo da repercussão negativa que a solicitação de arquivamento pudesse trazer ao mandato dele. Pedro foi escolhido relator do processo no qual Renan é acusado de ter favorecido a Schincariol junto ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e à Receita Federal. A suposta interferência do presidente do Congresso em prol da cervejaria teria sido feita depois de a Schincariol ter comprado uma fábrica de refrigerantes do deputado Olavo Calheiros (PMDB-AL) - irmão dele - por R$ 27 milhões, quando não valeria mais do que R$ 10 milhões, segundo avaliações de mercado.
''Tem o componente político do resultado da primeira representação (na qual Renan foi acusado de ter suas despesas pessoais pagas por um lobista, mas absolvido em plenário). Por mais que se tenha cuidado de separar questões técnicas, a questão política é muito forte.''
O requerimento de sobrestamento será feito hoje, em reunião do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado, marcada para as 17 horas. O senador do PT do Amazonas deu várias declarações indicando que recomendaria o arquivamento da representação. Nos últimos dias, especialmente com o grande desgaste que o PT dele tem desde que o presidente do Senado escapou da cassação, Pedro indicava que a solicitação de paralisação das investigações poderia ser a saída menos desgastante para si próprio. Ontem, enfim, confirmou a determinação.
O senador do PT comprometeu-se a retomar as apurações se a Câmara perceber indícios do envolvimento de Renan nas irregularidades. ''A Câmara pode trazer novos elementos. A partir de um indício (de envolvimento de Renan), vamos retomar os trabalhos aqui. Nós não estamos arquivando. Isso pode ter desdobramentos no processo de investigação'', afirmou.
Pedro também disse que, se alguém apresentar voto em separado ao texto o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, poderá optar por outro desfecho para a segunda ação contra o senador do PMDB de Alagoas.
Além do caso Schincariol, outras duas representações estão no Conselho de Ética e Decoro à espera de relator. Elas tratam da suposta compra por parte de Renan de duas rádios e um jornal em sociedade oculta com o usineiro e ex-deputado João Lyra (PTB-AL) e da coleta de propina em ministérios chefiados pelo PMDB. A exemplo do que tem feito nos últimos dias, o presidente do Conselho de Ética, Leomar Quintanilha (PMDB-TO), voltou a repetir que ainda não encontrou relator para os processos. Aliados de Renan trabalham para que as averiguações sejam proteladas até o fim do ano. A ordem é tentar fazer com que caiam no esquecimento público.


