O deputado Alberto Goldman (PSDB-SP), indicado ontem para ser o relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que vai investigar o Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional (Proer), admitiu a possibilidade de convocar o ministro da Fazenda, Pedro Malan, para dar explicações à comissão sobre o processo de reestruturação financeira dos bancos. O Proer liberou, desde 1995, pelo menos R$ 20 bilhões a cerca de 20 bancos que alegavam estar em dificuldades, em 1995 e 1996.

Segundo Goldman, será importante a participação não só de Malan, mas de todos os que foram responsáveis pelo processo que acabou levando à necessidade de criar o Proer. ''Por que se chegou a isso? Que medidas foram tomadas, e como evitar que se repita a crise no sistema financeiro?'', indagou Goldman, referindo-se à amplitude que pretende dar à discussão sobre o assunto na comissão parlamentar.

O deputado disse considerar importante saber que normas existiam, na época, que levaram àquela situação. Por isso mesmo, ele acha importante ouvir também não só o presidente do Banco Central à época Gustavo Loyola mas de todos os que possam dar informações sobre a estrutura normativa que não impediu que ocorressem problemas com os bancos, porque, segundo Goldman, o governo, na época, assegurava que haveria uma ''débacle financeira'' caso o Proer não fosse instituído''.

O presidente Fernando Henrique Cardoso avaliou ontem que o Proer, apesar das dificuldades impostas pela conjuntura internacional, é um dos responsáveis pela manutenção da estabilidade econômica no país. ''O presidente considera que uma CPI do Proer, se conduzida com objetividade, demonstrará que o Proer evitou uma crise financeira de graves proporções'', disse o porta-voz da Presidência, Georges Lamazière.

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