O senador Roberto Requião (PMDB), relator da CPI dos Títulos Públicos, disse ontem que ‘‘a matriz da usina de emissão irregular de títulos públicos estava em São Paulo’’. Além de Wagner Ramos, Requião citou o nome de outros quatro funcionários da Secretaria Municipal da Fazenda de São Paulo que estariam envolvidos no esquema: Nivaldo Gustavo de Almeida, Maria Helena Sella, Victor Hugo Castanho e Pedro Neiva Filho.
‘‘A Secretaria da Fazenda inteira participava do processo e visitava outros Estados. O prefeito Celso Pitta vai ter que explicar na CPI como é que ignorava o fato de toda a sua equipe trabalhar para o Banco Vetor e o Maxidivisa’’, afirmou Requião.
A convocação do prefeito de São Paulo para prestar depoimento na CPI dos Títulos Públicos ainda não tem data marcada. Requião disse que pretende manter mais duas semanas de audiências e depoimentos, para depois trabalhar em cima de documentos reunidos pela comissão. O senador disse que quer concluir a CPI o mais rápido possível. ‘‘Mas só quando tiver certeza que o meu relatório será o mais aprofundado e correto possível’’, afirmou.
RedeO relator da CPI já tem uma hipótese de como funcionava o esquema sob investigação. Segundo ele, o Banco Vetor, do empresário Fábio Nahoum, mandava dinheiro para a corretora Perfil, pagando comissões sobre taxas de sucesso de 45% a 80%. ‘‘Não existe no planeta Terra consultoria ou prestação de serviço que engula 45% a 80% do valor da operação’’, destaca.
Ainda pela hipótese de Requião, a Perfil cuidava da lavagem do dinheiro, repartindo os cheques para corretoras como a Young, Splitt e IBF. ‘‘E essa gente repassava o dinheiro em centenas de cheques para doleiros’’, completou.
Requião disse que a CPI está rastreando esses cheques que foram distribuídos. Ele afirmou que o principal operador da colocação desses cheques no mercado de dólar era o dono da Splitt, Enrico Piccioto, e a empresa Negocial.
‘‘Mas por trás disso tudo deve ter um esquema político que pressionava o Senado Federal, o Banco Central e que embolsava grana. Foram US$ 600 milhões às custas do Banestado e Bradesco, que foram os compradores finais desses títulos’’, afirmou.
Para Requião, os senadores que autorizaram essas operações também terão que se explicar perante a CPI. ‘‘Ou o Senado se corrompeu, ou foi enganado, ou agiu por influência política sem pensar’’, afirmou.

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