Relator da CPI afirma que Pitta será chamado a depor
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sexta-feira, 14 de março de 1997
Sucursal de Curitiba 
O senador Roberto Requião (PMDB), relator da CPI dos Títulos Públicos, disse ontem que a matriz da usina de emissão irregular de títulos públicos estava em São Paulo. Além de Wagner Ramos, Requião citou o nome de outros quatro funcionários da Secretaria Municipal da Fazenda de São Paulo que estariam envolvidos no esquema: Nivaldo Gustavo de Almeida, Maria Helena Sella, Victor Hugo Castanho e Pedro Neiva Filho.
A Secretaria da Fazenda inteira participava do processo e visitava outros Estados. O prefeito Celso Pitta vai ter que explicar na CPI como é que ignorava o fato de toda a sua equipe trabalhar para o Banco Vetor e o Maxidivisa, afirmou Requião.
A convocação do prefeito de São Paulo para prestar depoimento na CPI dos Títulos Públicos ainda não tem data marcada. Requião disse que pretende manter mais duas semanas de audiências e depoimentos, para depois trabalhar em cima de documentos reunidos pela comissão. O senador disse que quer concluir a CPI o mais rápido possível. Mas só quando tiver certeza que o meu relatório será o mais aprofundado e correto possível, afirmou.
RedeO relator da CPI já tem uma hipótese de como funcionava o esquema sob investigação. Segundo ele, o Banco Vetor, do empresário Fábio Nahoum, mandava dinheiro para a corretora Perfil, pagando comissões sobre taxas de sucesso de 45% a 80%. Não existe no planeta Terra consultoria ou prestação de serviço que engula 45% a 80% do valor da operação, destaca.
Ainda pela hipótese de Requião, a Perfil cuidava da lavagem do dinheiro, repartindo os cheques para corretoras como a Young, Splitt e IBF. E essa gente repassava o dinheiro em centenas de cheques para doleiros, completou.
Requião disse que a CPI está rastreando esses cheques que foram distribuídos. Ele afirmou que o principal operador da colocação desses cheques no mercado de dólar era o dono da Splitt, Enrico Piccioto, e a empresa Negocial.
Mas por trás disso tudo deve ter um esquema político que pressionava o Senado Federal, o Banco Central e que embolsava grana. Foram US$ 600 milhões às custas do Banestado e Bradesco, que foram os compradores finais desses títulos, afirmou.
Para Requião, os senadores que autorizaram essas operações também terão que se explicar perante a CPI. Ou o Senado se corrompeu, ou foi enganado, ou agiu por influência política sem pensar, afirmou.


