Brasília - O relator da CPI dos Bingos, Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), admitiu ontem a possibilidade de alterar o relatório final da comissão a depender do embasamento dos votos em separado. No entanto, reafirmou que mantém a dúvida sobre o envolvimento do ex-ministro José Dirceu e do chefe-de-gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Gilberto Carvalho, no esquema de corrupção montado na Prefeitura de Santo André. Caso não se convença até lá, o relator disse que manterá seu texto. ''Em processos, a dúvida se converte em favor do réu'', afirmou. Garibaldi se disse contrariado com a suspeita de que tenha sofrido pressão para tirar os nomes do relatório final.
Ele afirmou que pretendia incluir os dois nomes, mas recomendou aos técnicos da CPI, na última terça-feira, a alteração inclusive porque Dirceu não prestou depoimento à comissão parlamentar. ''Eu não poderia pedir o indiciamento sem ouvi-lo'', disse. Garibaldi ainda vai discutir com o presidente da CPI, Efraim Morais (PFL-PB), como será a votação do relatório final no dia 20 deste mês. Pela regra adotada na CPI dos Correios, as sugestões de mudança foram analisadas pelo deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR). Algumas foram incorporadas ao texto final e outras foram ignoradas. Os insatisfeitos não tiveram como recorrer da decisão.
O senador Magno Malta (PL-ES) apresentará voto em separado para que seja retirado do texto final tudo o que não se referir à investigação sobre casas de bingos. Ao contrário, o líder da Minoria, senador Álvaro Dias (PSDB-PR), vai protocolar um voto em separado para que sejam incluídos na lista de indiciamento os nomes de Gilberto Carvalho e José Dirceu. (Felipe Recondo/Folhapress)

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