O vereador João Martins (PSL) é o relator da CP aberta contra vereadores réus na Operação ZR3 (no alto, trechos do relatório)
O vereador João Martins (PSL) é o relator da CP aberta contra vereadores réus na Operação ZR3 (no alto, trechos do relatório) | Foto: Vitor Struck



A votação que pode incorrer em um fato histórico para a política londrinense teve a data marcada na sessão desta terça-feira (14). A partir das 9h da manhã da próxima segunda-feira (20) a Câmara Municipal de Londrina vai dar início a uma longa sessão extraordinária que pode determinar pela cassação dos mandatos dos vereadores afastados Rony Alves (PTB) e Mário Takahashi (PV) ou pelo arquivamento da denúncia de quebra de decoro parlamentar.

O relator da Comissão Processante, o vereador João Martins (PSL), entregou ontem relatório de 23 páginas com um resumo das oitivas realizadas ao longo de quase 90 dias. Acompanhado das assinaturas do presidente José Roque Neto (PR) e do membro Vilson Bittencourt (PSB), o parecer final é "pela procedência da denúncia".

Caso os dois vereadores réus na Operação ZR3 tenham os cargos políticos cassados, serão três edis em uma mesma legislatura a não concluírem os mandatos. Em outubro do ano passado, por 14 votos favoráveis e cinco contrários, a Câmara cassou o mandato de Emerson Pretiv, o Boca Aberta, também pela mesma acusação.

Antes desta Legislatura, a última vez que a Câmara Municipal de Londrina havia cassado os direitos políticos de um vereador foi em 2008, quando Orlando Bonilha, eleito em 2014 com 4.462 votos pelo Partido Republicano, teve o seu terceiro mandato interrompido por unanimidade.

"Esta é mais uma questão atípica aqui na Casa este ano, estávamos até discutindo que se fizermos uma pesquisa nos demais municípios do Brasil é possível não acharmos nenhum que tenha havido este tipo de evento", lembrou o atual presidente da Casa, o vereador Aílton Nantes (PSL).

Imagem ilustrativa da imagem Relator da CP pede cassação de mandatos de Rony e Takahashi



Relatório da Comissão Processante
"No final chegamos à conclusão de que tudo o que foi dito tinha procedência dentro da legislação, que é o Código de Ética e Decoro Parlamentar e o artigo 201 (do Regimento Interno)", afirmou o relator da CP, João Martins.

Questionado se o inquérito da Operação ZR3 do Ministério Público foi determinante, o vereador ressaltou que o relatório é baseado na investigação realizada pela Comissão.

"Não tem como dizer que algo pesou mais, foi uma soma, um conjunto de depoimentos que buscamos, não algo que pesou mais e dali pudemos com bastante sinceridade, buscando a justiça e o que fosse mais verdadeiro. Não queremos prejudicar ninguém", dissea o relator.

Imagem ilustrativa da imagem Relator da CP pede cassação de mandatos de Rony e Takahashi



Sessão promete ser longa
Por se tratarem de dois vereadores enquadrados em uma mesma denúncia, a sessão promete ser longa. Após a abertura será feita a nomeação do suplente do vereador Filipe Barros (PSL), Emanoel Gomes (PRB), já que Barros foi o autor da representação que deu origem à Comissão Processante.

Em seguida as defesas podem solicitar a leitura de todo o processo e também do relatório da CP. Só para se ter uma ideia a denúncia do Ministério Público tem 1.506 páginas e os vereadores denunciados vão ter, ao todo, duas horas para se defenderem.

O presidente da Câmara, o vereador Aílton Nantes (PSL), lembrou que os suplentes de Rony e Mário, Tio Douglas (PTB) e Valdir dos Metalúrgicos (Solidariedade), respectivamente, também poderão votar, assim como votaram pela abertura da CP. Naquela ocasião, em abril, foram 15 votos favoráveis e quatro contrários, estes dos vereadores Guilherme Belinati (PP), Jamil Janene (PP), Péricles Deliberador (PSC) e do suplente de Barros, Emanoel Gomes.

Nantes também ressaltou que, por conta da interdição de 66 dos 200 lugares da plenária, haverá a transmissão da sessão para os presentes do lado de fora. "A previsão inicial seria de mais 150 lugares na tenda armada ali fora mas estamos discutindo para ampliar", afirmou. A FOLHA procurou as defesas dos dois vereadores afastados e foi informada de que ainda não tiveram acesso ao relatório.

mockup