Relator critica pressa em aumento a secretários
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 26 de maio de 2004
Maria Duarte<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A pressa do governo do Paraná na votação do projeto que dobra o salário dos secretários de Estado criou mal-estar junto ao presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Hermes Fonseca (PT).
Ontem, o líder do governo, Natálio Stica (PT), disse que pretende votar na segunda-feira o projeto, que recebeu regime de urgência anteontem. Na avaliação de Stica, a CCJ deveria dar um parecer dentro de 48 horas. No entanto, a CCJ só faz reuniões às terças-feiras. E Hermes Fonseca avisou ontem que não vai fazer reunião extraordinária para dar parecer ao projeto, assinado pelo deputado aliado Antonio Anibelli (PMDB).
''Urgência é 45 dias. E a reunião da CCJ é na próxima terça-feira, vamos votar na terça. Se quiserem, passem por cima. Não sei o motivo dessa pressa'', disparou. Fonseca disse que é favorável ao aumento, mas que não vê necessidade de marcar uma sessão extraordinária.
Os deputados Tadeu Veneri (PT) e Jocelito Canto (PTB), que pediram vistas ao projeto, cobraram do governo a apresentação de números exatos sobre os salários e o impacto na folha de pagamentos do Estado. Stica disse ontem que o salário dos secretários vai subir de R$ 5,9 mil brutos para R$ 11,9 mil, o que vai gerar impacto de 162 mil por mês na folha. Dentro dos R$ 11,9 mil, Stica explicou que R$ 7 mil se referem ao salário de secretário e os outros R$ 4 mil são a título de gratificação.
A existência dessa gratificação de 60%, porém, é contestada por Veneri. Segundo ele, secretário tem que ter apenas salário, e não gratificação. Além disso, questionou a possível vinculação dos salários de 1.254 funcionários comissonados aos dos secretários. Stica, porém, nega que os demais funcionários receberão aumento por tabela. ''O aumento se restringe aos secretários. Não teria como o Estado pagar o aumento aos comissionados'', declarou o líder governista.
De acordo com Stica, será votado um substitutivo ao projeto, que trará todos os números. A oposição criticou a pressa dos governistas. O líder da oposição, Durval Amaral (PFL), disse que o projeto não deveria ser votado na correria.


