BELO HORIZONTE - O senador Roberto Requião (PMDB-PR), relator da CPI dos Títulos no Congresso, acusou ontem o governo federal de se omitir em relação à corrupção no País. ‘‘Fernando Henrique tem horror de CPIs que apuram corrupção e o porquê só ele pode responder’’, disse em Belo Horizonte, onde participou de um seminário com prefeitos e vice-prefeitos do PMDB. De acordo com o senador paranaense ‘‘todos os trambiques e as patifarias do esquema PC Farias’’ ocorridos durante o governo do ex-presidente Fernando Collor de Mello continuam na atual administração. ‘‘Todas as concorrências feitas na época do Collor estão sendo honradas, as obras têm prosseguido e sido pagas, quando o Brasil inteiro sabe que naquela ocasião a comissão antecipada era de 23%’’, afirmou.
Requião criticou também a posição do presidente quanto à CPI dos Títulos, que investiga a emissão e comercialização de papéis de Estados e prefeituras autorizada pelo Senado, para o pagamento de precatórios - dívidas decorrentes de sentenças judiciais. ‘‘Em Angola, o presidente cantou um grito de apoio a esta CPI, mas o que ele canta lá fora não canta aqui’’, atacou o relator da comissão. ‘‘Chegando ao Brasil ele excluiu a CPI dos Títulos da convocação extraordinária, talvez porque não tenha gostado da composição da comissão ou do relator.’’
O senador chamou de ‘‘ioiôs’’ os deputados e senadores que deram apoio à formação da CPI dos Títulos públicos e depois recuaram. ‘‘Acho que são os famosos ioiôs, que colocam a assinatura e negociam a retirada ou se arrependem.’’ Requião não poupou o PMDB, que dividiu em dois: o da base e o do Congresso. ‘‘Eu vejo, na prática, o PMDB do Congresso, e não o da base, funcionando como um partido auxiliar, um acessório do PFL e do PSDB’’, avaliou. Para o senador, o PMDB ‘‘não tem vida própria, identidade e personalidade’’.

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