Relação PT-PMDB sai estremecida após votação
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quarta-feira, 20 de maio de 2009
Catarina Scortecci<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A relação entre o PT e o PMDB do governador Roberto Requião ficou estremecida após a votação, anteontem à noite, na Assembleia Legislativa, do projeto de lei que prevê um reajuste geral de 6% para os funcionários públicos do Estado. O aumento mensal na despesa do Estado representa R$ 35,7 milhões. A revisão salarial alcançará 249.711 pessoas, entre ativos, inativos e pensionistas.
Apesar da pressão feita pelo governo do Estado, que alega não ter caixa para conceder um reajuste geral superior ao proposto no texto, a bancada do PT manteve suas emendas ao projeto de lei, na tentativa de aumentar o benefício aos servidores públicos.
O projeto de lei original foi aprovado na íntegra (17 emendas, encabeçadas pelo PT e pela bancada da oposição, foram derrubadas), na noite da última terça-feira, com o apoio de 33 parlamentares.
Mas a pressão do PMDB funcionou parcialmente: dos seis integrantes da bancada do PT, dois votaram a favor das emendas (Professor Lemos e Tadeu Veneri), três registraram abstenção (Luciana Rafagnin, Péricles de Melo e Elton Welter) e um votou contra as emendas (Pedro Ivo).
''Acho que o governador do Estado também deve declarar abstenção quando algum deles quiser marcar uma audiência'', ironizou ontem o líder da base aliada, deputado estadual Luiz Cláudio Romanelli (PMDB).
Segundo ele, a votação ''foi emblemática'', porque indicaria um cenário que o PMDB deve levar em consideração a partir de agora.
''Nós temos que saber com quem podemos contar aqui dentro. Não dá para os aliados só receberem benefícios em nome de grupos, municípios, entidades. Nossa avaliação hoje é que só devem ser prestigiados agora aqueles que estiveram com a gente nos bons e também nos maus momentos'', afirmou Romanelli.
Atritos
Os petistas integram a gestão Requião (pasta de Planejamento, por exemplo), mas desde o início do ano têm enfrentado atritos com o PMDB, o que pode sugerir um rompimento nas eleições de 2010.
Mas a ''ressaca'' do reajuste geral não atingiu apenas o PT. O deputado estadual Felipe Lucas (PPS), que desde o início da legislatura vota com os aliados da base, pode ser cobrado por correligionários, já que a direção do PPS estadual orientou a favor das emendas.
''O comunicado era claro. Acredito que a posição do Felipe Lucas vai ser amplamente discutida dentro do partido'', declarou ontem o deputado estadual Marcelo Rangel (PPS).


