Agência Estado
Do Rio de Janeiro
Pesquisa do Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope) realizada entre os dias 19 e 23, com 2 mil entrevistados, em todo o País, aponta que 45% rejeitam a administração do presidente porque ela não combate o desemprego e não incentivou a indústria; 37%, porque há falta de combate à inflação, e 24%, porque o governo não conseguiu melhorar os salários.
‘‘O que a pesquisa revela é que a sociedade está em sintonia com a oposição e a própria base governista quando criticam a ausência de um projeto claro de desenvolvimento para o País’’, afirma a diretora do Ibope-Opinião, Márcia Cavallari, ressaltando que a consulta foi feita antes do anúncio do Plano Plurianual (PPA).
Para 17% dos entrevistados, o motivo da rejeição a Fernando Henrique deve-se à falta de investimentos na saúde. Outros 14% consideram que ele não está fazendo uma administração boa ou ‘‘não está fazendo nada’’.
As respostas ao porquê da impopularidade do presidente foram dadas por 1.049 dos 2 mil entrevistados da base da pesquisa. O total supera 100% porque cada entrevistado pôde citar mais de um motivo. A margem de erro é de 2%.
Segundo o Ibope, não houve mudança na avaliação do governo em relação à última pesquisa, encomendada para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), em julho. A administração tucana é considerada ruim ou péssima para 52%. Outros 29% acham que é regular; 13%, bom; e apenas 2%, ótima. Dos entrevistados, 3% não souberam ou não quiseram responder.
Para o cientista político Rogério Schmitt, da USP, os dados mostram que o governo ‘‘chegou ao fundo do poço’’. ‘‘Isso indica o estado de espírito da população, mas esse resultado pode mudar, dependendo do impacto do anúncio do programa Avança Brasil (PPA)’’, afirmou. O cientista político acredita numa tendência gradativa de recuperação porque o governo federal ‘‘não tem mais para onde cair’’.
Schmitt acredita também que a recuperação do presidente será mais lenta do que ele espera. ‘‘Esse resultado não é tão importante porque não se trata de um ano eleitoral’’, afirmou.

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