Reitores reagem
Primeiras reações mais articuladas ao corte de 20% nas despesas partiram dos sempre mobilizados reitores das universidades estaduais, com os maiores impactos em Maringá e Londrina de nada menos de R$ 127 milhões e de R$ 124 milhões, respectivamente, atingindo genericamente os custos e especialmente do setor hospitalar. O reitor da UEL, Sergio Carlos de Carvalho, adverte que com o contingenciamento a universidade e o hospital funcionam por apenas nove meses.
Se há esse tipo de reação em setores mais organizados, dentro em pouco teremos uma dramatização do que ocorrerá nas outras áreas. Fez bem o governador em cortar seu salário e o dos secretários para dimensionar o que pretende como regra geral, mas deverá render-se à necessidade do diálogo para dimensionar impactos.
Uma das cantilenas que marcarão essas conversas será como sempre a decantada autonomia universitária, algo fantasioso porque todos vivem do mesmo orçamento e é em cima disso que se deve fazer qualquer reflexão.
No escuro
O secretário da Fazenda, Renê de Oliveira Garcia Júnior, anunciou uma auditagem imediata na engenharia de sistema da pasta em função da ausência de sincronia computacional que torna impossível ter ideia da situação real das finanças públicas. Tal situação torna inviável saber se houve ou não a sobra dos R$ 5 bilhões em caixa referidos por Cida Borghetti ao deixar o governo.
Incrível é que não se tenha detectado nada nas confabulações da transição, apesar de alguns atritos logo compensados com gestos de cordialidade de parte a parte. Se há essa opacidade radical não havia como afirmar equilíbrio nas contas, deficit ou superavit pela impossibilidade de visualizá-lo. É algo mais do que um curto circuito, de certa forma um apagão. Se não há números precisos é difícil também dimensionar cortes, por mais justificáveis que sejam.
Secreto
Para o governo e suas forças a votação secreta na Câmara e Senado (conforme o voto de Toffoli mais uma vez oposto ao de Marco Aurélio) o favorece e por várias vezes a questão foi colocada. Principal beneficiário dessa orientação seria Renan Calheiros, ao enfrentar pelo menos cinco candidatos pela presidência da Câmara Alta, o que o levaria, na pior das hipóteses, ao segundo turno, em que pese seu currículo denso em termos de corrupção e de suas vinculações com o PT.
Mais delação
Depois de rejeitado por incompleto o seu acordo de delação pelo Ministério Público e acertado dois com a Polícia Federal, o ex-ministro da Fazenda e Casa Civil dos governos Lula e Dilma, Antonio Palocci, firmou um terceiro com a Procuradoria da República que mira desvios nos maiores fundos de pensão do país. Um dos objetivos é revelar o papel de Lula para que a Funcef e a Petros entrassem como acionistas da Norte Energia, proprietária da Usina de Belo Monte. Os fundos da Caixa e da Petrobras possuem 10% cada na usina.
Como se vê, engrossam e muito os processos contra o ex-presidente da República, que encara a próxima sentença do processo do Sítio de Atibaia.
Gaeco
Um dos mais categorizados colaboradores do Gaeco de Londrina, com atuação fortíssima nas operações "Publicano" e Valdemort, o delegado Alan Flore, vai servir em Curitiba na Divisão de Combate à Corrupção criada por Cida Borghetti e que atuou em alguns episódios do governo Beto Richa.
Surto ou ciclo
Nas últimas 24 horas, em Curitiba e Região Metropolitana tivemos nada menos de seis mortes por violência. Não se sabe se é um surto, algo pontual, e fora das estatísticas que acusam sensível queda nas taxas de homicídio, ou a enunciação de um ciclo que diante de situações como a do Ceará ainda parece distante.
Gleisi
A presença da senadora paranaense Gleisi Hoffmann, presidente nacional do PT, na posse de Maduro na Venezuela foi o tema internacional de quinta-feira. Gleisi afinal reafirmou o tom radical do seu alinhamento contra a política externa de Jair Bolsonaro, muito bem justificado na tradição do Itamarati de não intervenção, mas que aumenta (pela violência a opositores naquele país) o discurso antiLula, causa da vitória do capitão reformado.
Uma nódoa
Bem recebida a notícia de reformas no Jardim Botânico, um dos maiores pontos de visitação turística da capital, e manchado historicamente com a retirada da obra de Frans Krajcberg ante o protesto formal do artista pelo abandono da importantíssima peça que cedera ao Paraná. Desde esse momento lastimável o mínimo que se faça por aquele logradouro, área de interesse científico, será um sinal de recuperação. A nódoa ficou. Que vergonha.

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