Reitores questionam isonomia
Patrícia Zanin
De Londrina
Realidades distintas não podem ser tratadas de forma igual. Esta é a opinião básica de reitores de duas universidades federais ouvidos pela Folha sobre as críticas feitas pelo senador Alvaro Dias (PSDB-PR) sobre a falta de isonomia na distribuição de verbas para instituições de ensino superior.
Anteontem, Alvaro criticou, no Senado, o que chamou de discriminação do governo federal em relação ao Orçamento da União para 2000, principalmente na área do ensino superior. Ele citou, por exemplo, o fato de o Paraná ter previsão de receber R$ 317 milhões para o ensino superior no ano que vem, contra R$ 1,1 bilhão de Minas Gerais e outro R$ 1,1 bilhão do Rio de Janeiro, além de R$ 700 milhões do Rio Grande do Sul.
Tudo depende do tamanho da universidade, do número de docentes, da complexidade da própria instituição, disse ontem o reitor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Carlos Antunes dos Santos, embora afirme estar de acordo com o pronunciamento do senador em favor de mais recursos para o Paraná. A postura dele é reclamar mais verbas, afirmou.
A pró-reitora de planejamento da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Maria Alice Lahorgue, também concorda que as diferenças entre as instituições precisam ser consideradas. Ela citou, como exemplo, o fato de o Rio Grande do Sul ter quatro universidades federais (a do Rio Grande do Sul, a de Santa Maria, a do Rio Grande e a de Pelotas), enquanto Pernambuco, por exemplo, ter apenas duas. No caso do Paraná, o Estado abriga a Federal e o Cefet (Centro Federal de Educação Tecnológica).
Na opinião da pró-reitora, se existe alguma isonomia pela qual é preciso lutar é pela qualidade do ensino entre as instituições. Que a Federal do Acre, por exemplo, ofereça a mesma qualidade que a nossa e a Federal do Paraná.
O reitor da UFPR informou ainda que o Paraná é o quarto Estado com maior orçamento entre as universidades públicas federais do País. Em repasse para custeio (sem incluir pagamento de pessoal), só perde para o Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, segundo Antunes.





