Reitores manifestam apoio a Lula
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quinta-feira, 19 de outubro de 2006
Leonencio Nossa eLisandra Paraguassú<br>Agência Estado 
Brasília - Em campanha pela reeleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu na tarde de ontem manifestos de apoio assinados por 46 reitores e 96 dirigentes de escolas tecnológicas. Bem-humorado, ele prometeu redobrar investimentos na educação, num eventual segundo mandato, e se definiu como ''centroavante'' do time dos acadêmicos. ''Quero dizer que não há retorno para a universidade brasileira. Agora, ou vai, ou racha. E, certamente, não vai rachar. É o que todos precisamos'', afirmou, referindo-se à ampliação da rede de ensino superior.
Após três anos de críticas por desdenhar do diploma, Lula passou a ressaltar nos discursos a atenção dada à educação superior pelo governo dele. É uma forma, segundo assessores, de atacar o PSDB num tema caro à ''elite tucana'', já que o governo Fernando Henrique Cardoso (1998-2002) foi marcado por greves no ensino superior e pela atenção às instituições privadas. Lula gosta de lembrar que iniciou a construção de dez universidades, sendo quatro totalmente novas. Segundo assessores, depois que conseguiu ultrapassar o número de universidades criadas por FHC (seis), Lula tem obsessão, agora, de instalar mais uma universidade e bater a marca de Juscelino Kubitschek, que implantou dez instituições.
Embora os manifestos não tenham incluído as palavras ''reeleição'' ou ''candidato'', os reitores disseram que pediram o encontro com Lula para deixar claro o apoio à candidatura dele. ''Não é uma pauta de reivindicações, é um manifesto de apoio ao presidente'', afirmou o reitor da Fundação Universidade de Rio Grande (Furg), João Carlos Cousin. O reitor da Furg explicou, ainda, que não existe a possibilidade desse grupo procurar o candidato tucano, Geraldo Alckmin, para conversar. E nem os reitores foram procurados por Alckmin.
No discurso, de improviso, Lula afirmou que o governo apreendeu, no diálogo com as universidades, e conseguiu ''desatar nós''. ''A gente percebeu que é prazeroso investir em educação'', disse. Lula reconheceu que o governo não conseguiu aprovar ainda o projeto de reforma universitária e do Fundeb, que prevê mais recursos para o ensino fundamental. ''Tivemos que colocar R$ 1,7 bilhão na Educação, no ano passado, porque não aprovamos o Fundeb. E mais R$ 1,3 bilhão neste ano'', disse. E fez a promessa: ''Faltam poucos dias para o processo eleitoral terminar. Penso que temos condições de ganhar a eleição. E, ganhando, vamos fazer nas universidades brasileiras muito mais investimentos do que fizemos no primeiro mandato.''
Os reitores, no seu manifesto, dizem que ''num momento crucial para o País'', precisam manifestar sua preocupação quanto ao ''futuro'' do ensino superior. ''Os avanços são inegáveis'', destaca o manifesto. Os reitores citam a recuperação orçamentária de 68%, a criação de dez novas universidades e 48 campi e a liberação de verbas para pesquisas.
Ao final, Lula, bem-humorado, tirou fotos com os reitores. Agachado, como na foto de jogadores de um time de futebol, Lula disse: ''Estou numa posição de centroavante.''


