Maringá - A reitora da Universidade Estadual de Maringá (UEM), Neusa Altoé, disse ontem que não vai acatar a decisão da Procuradoria Geral do Estado (PGE) e da Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, de demitir o professor Paulo Cezar Mathias e punir com suspensão de 90 dias o professor João Alencar Pamphille. Se mantiver a decisão, a reitora pode ser exonerada do cargo e sofrer processo administrativo por desacato à autoridade, promete o governo.
Até ontem ela não havia recebido o comunicado oficial sobre as punições aplicadas pelo governo estadual, mas adiantou que vai pedir apoio da Associação Paranaense das Instituições de Ensino Superior (Apiesp), Associação Brasileira das Universidades Estaduais e Municipais (Abruem), e do Conselho dos Reitores das Universidades Brasileiras (Crub).
De acordo com a reitora, a demissão de Mathias e a suspensão de Pamphille ferem a autonomia da universidade. Ela disse que cabe à administração universitária qualquer tipo de punição aos professores e servidores da UEM. Neusa afirmou ainda que não esperava pelas punições, já que havia solicitado em março do ano passado, o arquivamento do processo administrativo contra os professores. Segundo ela o ofício foi mandado ao próprio governador. ‘‘Não tive nenhuma resposta dele (governador), mas acreditava que o pedido tinha sido acatacado’’, desabafou.
Mathias e Pamphille respondiam a processo administrativo instaurado pela PGE por causa da greve na UEM em 2000. No processo, Mathias, Pamphile e o acadêmico Edemilson Modesto de Camargo foram acusados de prejudicar a impressão das provas do vestibular de inverno da instituição, lacrando com solda a porta do prédio da Comissão de Vestibular Unificado, no campus da UEM. No ofício encaminhado pela reitora ao governador em março do ano passado, Neusa justifica o pedido de arquivamento do processo administrativo alegando que os danos materiais que resultaram do lacre da porta do prédio da comissão foram reparados pelo próprio movimento de paralisação.
Em março do ano passado, o professor Paulo Mathias se envolveu em um incidente com o então procurador-geral do Estado, Joel Coimbra, em um debate numa emissora local de tevê. O programa discutia a greve dos professores e o professor foi atingido por um tapa no rosto pelo então procurador-geral.

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