A reitora afastada da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), Liana Fuga, foi interrogada ontem na Justiça de Cascavel. Ela é acusada da apropriação indébita (peculato) de R$ 11 mil da instituição, que teriam sido gastos em viagens e outras finalidades sem a prestação de contas.

A acusação contra Liana foi acatada há cerca de 15 dias pelo juiz-substituto da 1 Vara Criminal, Wolfgang Werner Jahnke. Enquanto estiver respondendo criminalmente, a reitora estará impossibilitada de voltar ao cargo na Unioeste, de onde está afastada desde junho.

De acordo com Liana, a acusação de peculato está infundada ''porque nunca me apropriei de recursos da universidade''. Ela garantiu que antes de ser afastada do cargo deixou todas as notas fiscais, correspondentes aos R$ 11 mil, em uma gaveta na sala da reitoria. ''Temos provas materiais e testemunhais que poderão comprovar minha inocência nesse caso'', afirmou.

A assessoria jurídica da Unioeste informou que as notas fiscais nominadas por Liana não estavam ''em qualquer gaveta da reitoria após seu afastamento''. O assessor jurídico Gilceo Klein acredita que essa alegação não passa de uma ''manobra'' para incriminar o atual reitor, Wilson Iscuissati.

O ex-funcionário da Unioeste, Carlos Edir Avelino, que a princípio havia comprovado as acusações contra a reitora, mas depois mudou seu depoimento afirmando ter sido coagido a depor contra ela, também será chamado para novo interrogatório. Sua versão é considera preponderante para definir se Liana é culpada no caso.

Além do interrogatório, Liana Fuga e seus advogados estiveram com o promotor de Justiça Carlos Choinski para conferir o material enviado pela perícia técnica da Polícia Civil sobre o concurso público realizado no campus de Francisco Beltrão. Na última semana, os peritos entregaram o resultado ao MP comprovando irregularidades no processo.

Para o advogado de defesa, Sérgio Zandoná, o resultado da perícia demonstra que Liana Fuga ''não teve participação na fraude''. Ele diz que o principal acusado passa ser o ex-diretor de concursos Carlos Piacenti, da Unioeste, ''que tinha o resultado das provas em mãos e fez a denúncia''. O promotor adiantou que o resultado da perícia não incrimina nem inocenta ninguém.

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