Curitiba - O reitor da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), Paulo Roberto Godoy estuda a possibilidade de entrar com uma ação por danos morais contra membros da CPI das Universidades Estaduais, que teve seu relatório aprovado em primeira votação na quarta-feira. O relatório pede o afastamento do reitor, acusando-o de não prestar esclarecimentos ao Ministério Público sobre irregularidades no pagamento de gratificações aos professores e estar envolvido no pagamento de horas extras irregulares a vigilantes da UEPG.
Godoy afirmou ontem estar esperando a votação final do relatório para tomar as medidas jurídicas cabíveis. ''Entendo que os deputados têm direito a liberdade de opinião, mas as afirmações e a parcialidade com que a CPI agiu certamente causaram-me danos que podem ser ressarcidos através da Justiça'', afirmou o reitor.
As afirmações a que o reitor se refere foram ditas durante a sessão de quarta-feira, quando o presidente da CPI Mário Bradock (PMDB) e o relator Neivo Beraldin (PDT) defenderam o afastamento do reitor, contratriando a opinião de deputados de Ponta Grossa. Bradock teria comentado que não afastar o reitor seria deixar ''a raposa cuidando do galinheiro''.
Ontem, Godoy defendeu-se das acusações feitas no relatório da CPI. ''Eu tenho a certidão de 21 comunicações feitas ao Ministério Público sobre o caso da gratificação dos professores. No caso das horas extras, a Universidade apenas não abriu uma comissão de sindicância interna porque uma comissão formada por membros das secretarias de Estado já tomou essa iniciativa. Em momento algum a UEPG deixou de atender os requerimentos da CPI, do MP ou da Polícia Civil, que também investiga as irregularidades'', declarou Godoy.
O reitor acredita que o pedido de afastamento foi uma manobra política. ''Na minha ótica, o pedido foi feito porque a CPI não conseguiu levantar nada de diferente do que já vinha sendo apurado pela própria universidade e pela polícia. É uma tentativa de criar um fato bombástico de uma CPI parcial. Convidamos, inclusive, o deputado presidente da CPI para vir a UEPG apurar os fatos in loco, mas ele não se dignou a isso'', criticou Godoy.
O delegado Marcus Vinícius Sebastião, que investiga as irregularidades levantadas na UEPG, afirmou que o reitor deve ser ouvido, mas ainda não há data prevista para o depoimento. ''Estamos montando inquéritos paralelos para cada ocorrência citada no relatório da CPI e outras que estão aparecendo nos depoimentos. Em um depoimento, por exemplo, levantamos que funcionários descontavam cheques pré-datados no caixa da Universidade. É outra suposta irregularidade que vamos investigar'', afirmou o delegado.

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