Reitor não pretende divulgar relatório da comissão da UEL
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terça-feira, 31 de julho de 2001
De Londrina 
O reitor em exercício da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Mauro Ticianelli, pode não convocar reunião do Conselho Universitário (C.U.) para a próxima sexta-feira. O objetivo do encontro seria para apresentar do relatório final da Comissão de Investigação, que apura denúncias de corrupção na instituição. Ticianelli entende que o documento deve ser entregue nas mãos do presidente do Conselho (reitor da institutição), a quem competirá a distribuição de cópias aos conselheiros.
Ticianelli encaminhou um ofício ao presidente da comissão, César Caggiano dos Santos e ao relator, Kennedy Piau, notificando-os da decisão. Os integrantes da comissão afirmam que não houve deliberação da proposta. Ele queria que nós entregássemos com antecedência o relatório. Colocou que tinha receio que esse relatório pudesse ter informações que melindrassem ou que alguma pessoa entrasse com algum processo contra a universidade, relatou Piau. O Mauro Ticianelli está tentando fazer uma argumentação jurídica para impedir a liberação, complementou Caggiano.
Ticianelli alegou que a proposta visa obedecer a Constituição. Os conselheiros vão assinar o termo de compromisso de que não deve ser divulgado o que ali contido, principalmente quando envolva o nome de pessoas. Eu pretendo proteger o direito que a Constituição dá ao cidadão de não ver o seu nome, sem o princípio do contraditório, ser envolvido, alegou.
Sobre a data das reuniões do conselho, que teriam sido decididas na última reunião por todos os conselheiros, Ticianelli foi incisivo. Não era uma convocação. O que foi apresentado era uma proposta de um calendário. O presidente do conselho pode definir pela não convocação, depois a comissão que entenda uma outra solução.
É uma vergonha para a universidade abrir uma comissão, trabalhar 50 dias e, na hora de apresentar o relatório, ela impede. Nós não vamos nos esquecer que somos uma instituição pública e por isso temos que ter transparência, lamentou Caggiano.
Caso a comissão comprove alguma irregularidade nas denúncias de superfaturamento em publicidade, evolução da folha de pagamentos, propinas e o furto de computadores do prédio da reitoria, ela poderá solicitar ao conselho a abertura de sindicâncias e processos administrativos que podem chegar à demissão de funcionários. Segundo Ticianelli, o reitor Jackson Proença Testa deverá retornar das férias no dia 3 e deverá presidir a reunião do conselho. (C.O.)


