O reitor em exercício da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), Wilson Iscuissati, apresentou ontem uma denúncia criminal no Ministério Público (MP) contra a reitora afastada da instituição, Liana Fuga. Ele acusa Liana de fazer saques da reitoria da universidade e não prestar contas do destino do dinheiro. A atitude do reitor acontece um dia depois de Liana ter apresentado à Procuradoria da República denúncia sobre um suposto desvio de verbas do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).
De acordo com a documentação entregue à promotoria, Liana teria feito saques desde o dia 9 de janeiro deste ano junto à Pró-Reitoria de Administração e que chegaram a R$ 11.670,84. Além dela, o ex-pró-reitor de Administração Valdir Kanitz também foi denunciado pela prática de atos de improbidade administrativa. Segundo o reitor, Kanitz emitia cheques ao portador, que eram repassados a Liana.
Iscuissati esteve também na delegacia de Polícia Civil, onde registrou uma queixa de furto contra Liana. Ela é acusada de ter levado um disquete que se encontrava na Pró-Reitoria de Administração. Do disquete, que foi entregue à Procuradoria da República pela defesa de Liana, constam informações sobre os convênios assinados nos últimos cinco anos com o FAT.
O reitor explicou que, apesar de Liana ter afirmado que lhe foram negadas informações referentes aos convênios, ele não recebeu qualquer protocolo pedindo a retirada de documentos da instituição. ‘‘Eu só recebi o protocolo na tarde de ontem (quinta-feira) e na mesma hora autorizei que fosse entregue a documentação solicitada.’’
Iscuissati informou que o Conselho Universitário (COU) aprovou em assembléia realizada ontem a criação de uma Comissão de Sindicância para apurar as possíveis irregularidades nos convênios com o FAT assinados nos últimos seis anos. Fazem parte do conselho as professoras Izolete Nieradka e Beatriz de Oliveira, além de Ivanildo Claro da Silva, representante da comunidade universitária.
Segundo Iscuissati, apesar de ocupar a função de vice-reitor durante a gestão de Liana, ele não tinha conhecimento dos problemas ocorridos na universidade. Ele argumentou que o estatuto da Unioeste garantia autonomia para a reitora decidir sobre a participação de outras pessoas na administração.
‘‘Pedi várias vezes para participar de reuniões importantes, mas ela (Liana) nunca consentia’’, afirmou Iscuissati. ‘‘Meu trabalho nesse período foi gestionar verbas junto ao Governo do Estado’’, acrescentou.
A Folha procurou Liana ontem, no final da tarde, mas ela não foi encontrada.

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