O empresário P. M. se apresentou ontem à Justiça. Investigado pela Promotoria de Investigação Criminal (PIC) por possível envolvido com desmanche de carros, M. reapareceu ontem para retirar bens que foram apreendidos pelo poder judiciário, durante blitz realizada em suas lojas no dia 29 de março. O empresário não quis responder as perguntas da imprensa, mas disse ao juiz da Central de Inquérito do Fórum Criminal, Jocelito Giovani Sé, que está a disposição, caso seja chamado para esclarecimento.

M. retirou ontem R$ 20 mil em dinheiro, além de cheques, dólares e jóias que estavam em poder da Justiça. Além disso, o empresário foi reforçar o pedido para liberar seus bens, indisponíveis desde a blitz realizada em suas lojas, no final de março. ‘‘Não existem provas e indícios que permitam o bloqueio dos bens do meu cliente’’, afirmou um dos advogados do empresário, Antônio Figueiredo Basto. ‘‘Em mais de 60 dias e não foi oferecida nenhuma denúncia criminal contra ele’’, complementou.

M., na companhia de três advogados, chegou ao Fórum às 15h15 e não quis conversar com os repórteres. Depois de falar com o juiz, ele apenas disse que não tinha nada a declarar. ‘‘Não tenho porque falar com a imprensa. Vocês sabem porque’’, acrescentou. Ele também evitou comentar sobre as supostas acusações, nas quais repassaria dinheiro para os deputados Algaci Túlio (PTB), Luiz Carlos Alborgheti (PFL) e o vereador José Aparecido Oliveira, Jotapê, (PSB).

O empresário quer que sejam reabertas suas lojas, fechadas a pedido da PIC. ‘‘Amanhã (hoje), elas deverão ser reabertas’’, afirmou o advogado Antônio Figueiredo Basto. Ele aguarda o julgamento do agravo de instrumento, impretado no Tribunal de Alçada.

Caso o julgamento seja favorável, M. quer que sejam devolvidos também as peças de carros que foram para perícia. ‘‘Se não não foi possível juntar provas suficientes durante 60 dias, isso demonstra falta de competência’’, provocou o advogado. A Folha tentou encontrar promotores da PIC ontem à tarde, mas não obteve resposta aos telefonemas.

O advogado acredita em uma sentença favorável. ‘‘Todos os bens dele devem ser liberados e as lojas vão estar funcionando’’, declarou. Para ele, houve muito ‘‘estardalhaço’’ pela promotoria e também pelos deputados da CPI. Ele acrescentou que, pela falta de provas, deve também liberar o outro cliente seu, Joarez França Costa – o Caboclinho –, acusado de envolvido com desmanche. M. e Caboclinho foram acusados durante depoimentos à CPI do Narcotráfico, no começo de março em Curitiba, de serem os principais envolvidos com o roubo, receptação e desmanche de carros roubados no Paraná, com o suposto acobertamento de policiais civis.

Antônio Basto não informou onde esteve P. M. durante o período que vigorou o pedido de prisão temporária. ‘‘Cabe apenas a ele esclarecer’’, disse. Até semana passada existia informação que o empresário esteve em Miami, onde tem propriedades.

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