Regras iguais para todos os trabalhadores
Ao defender e anunciar condições iguais na aposentadoria para os trabalhadores privados e os servidores públicos, o Presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva tomou a sua primeira medida de coragem e deu à população brasileira uma certeza: a mudança que a Nação há tempos exige está finalmente para acontecer. A proposta de instituição de um salário teto único de aposentadoria, baseado no valor que vigora atualmente para o setor privado de R$ 1.561,00 acaba com uma distorção histórica e uma injustiça aguda, pois hoje o servidor público se aposenta com o último salário recebido na vida ativa.
É claro que há, nas três esferas de governo federal, estadual e municipal diferenças de padrões e de valores salariais, com funcionários recebendo muito em algumas localidades e pouco em outras. Também há distorções flagrantes dentro de uma própria estrutura governamental e administrativa, onde há casos de professores, por exemplo, com salários inferiores ao de um servidor concursado como zelador. Esta injustiça é um caso à parte e também exige correção urgente. Mas o efeito da proposta do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, a partir do próximo janeiro, busca acertar parte dos equívocos da Previdência Social justamente nos segmentos do funcionalismo público com rendas elevadas. Provavelmente, o professor com renda inferior ao zelador não será afetado por esta medida, pois seu salário dificilmente ultrapassará um teto máximo estabelecido. O mesmo ocorrerá com o próprio zelador, a não ser que sua renda seja superior ao de um mestre por nela estar composto ganhos irregulares.
Portanto, uma possível briga dos setores mais organizados do funcionalismo público com o novo governo é quase que iminente. Provavelmente por isso jamais uma medida de tamanho efeito foi proposta pelo atual governo, apesar da crise que atinge proporção absurda na Previdência Social. Pelo contrário, buscou-se soluções de pouco efeito, atingindo de forma avassaladora o aposentado da iniciativa privada, inclusive com o arrocho constante de sua renda. Buscou-se também soluções que oneraram ainda mais o setor empresarial, cujos efeitos, direta ou indiretamente, recairam sobre os trabalhadores privados na ativa.
Agora, finalmente, vislumbra-se o fim de um período de desprezo à sociedade civil. A proposta de Luiz Inácio Lula da Silva exige empenho não só do governo mas de toda a população para que passe pelo Congresso Nacional sem emendas que minimizem seu objetivo prioritário de sanear a Previdência. É entre os deputados federais e os senadores que parte do funcionalismo público, afetado pelo projeto do novo governo, vai procurar socorro. Cabe, assim, lembrar aos parlamentares que eles foram eleitos por toda a população brasileira. E assim devem proceder, sendo representantes da Nação e não somente de um segmento dela.





