O empreiteiro paranaense Cecílio do Rego Almeida, dono da C.R. Almeida, disse ontem, em Curitiba, que está tranquilo em relação à CPI de Ocupação de Terras Públicas na Amazônia, que quer investigar a aquisição de terras no Pará. Cecílio criticou o deputado federal Sergio Carvalho (PSDB-RO), ‘‘que quer figurar como bailarina no palco da CPI’’ e avisa que tem todos os documentos que comprovam a compra legal de terras no Norte do País. Irado, ele chamou o deputado de ‘‘mentiroso’’ e que quer se promover.
Segundo o empreiteiro, a área de 4,772 milhões de hectares no Pará (equivalente a quase totalidade do Estado) ocorreu em 1995 e a documentação está registrada no cartório de imóveis da comarca de Altamira. O ‘‘engano’’ – frisou – é que a compra não foi feita por ele e sim por seus três filhos e dois sobrinhos, que constituíram a empresa Rondon Projetos Ecológicos. Cecílio se diz apenas mantenedor dos filhos e sobrinhos. E destacou que está movendo uma ação judicial contra a União e o ministro da Reforma Agrária, Raul Jungmann, que o acusam de ‘‘grileiro de terras públicas’’.
Conforme o empresário, a polêmica sobreo o assunto surgiu quando as terras foram compradas em 1995. Ele alega que o deputado exibe uma escritura feita no cartório de Altamira (PA), de 1992. A escritura aponta que o empreiteiro comprou 52 mil hectares e não 4,7 milhões de hectares. Cecílio disse que essa escritura não existe e o que o deputado exibiu na CPI foi uma certidão que qualquer um poderia forjar, portanto para ele não tem validade alguma.
O fato é que a polêmica já chegou à Justiça do Pará, que deu ganho de causa a a Cecílio. A Rondon comprou a paraense Indústria e Comércio, Exportação e Navegação do Xingu Ltda., e junto com ela todas as suas cotas. A Xingu era dona das terras que hoje figura como sendo de Cecílio.
Ocorre que a Xingu, dona há 40 anos das terras, estava sendo executada pelo Banestado. Cecílio alega que a Xingu saldou a hipoteca e recomprou as terras. A recompra das terras foi divulgada em edital publicado em 1997. Ele disse que o caso esteve no Judiciário e a Rondon foi ganhadora. Preocupado com a legalidade, Cecílio disse que recorreu ao Tribunal de Justiça do Pará, que obteve a certeza que as terras não eram griladas através do acórdão 39.777. ‘‘Uma CPI não pode ter mais validade que o Poder Judiciário’’, destacou.
Segundo o empresário paranaense, a Rondon está firmando parcerias com universidades de Xangai, na China, da Índia e dos Estados Unidos para realização de pesquisas médicas na área comprada no Pará. O objetivo é pesquisar princípios ativos junto à biodiversidade existente na área.

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