São Bernardo do Campo- O ministro chefe da Casa Civil, José Dirceu, defendeu na manhã de ontem que as reformas previdenciária e tributária, apresentadas ontem pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Congresso, vão ajudar o Brasil a retomar o crescimento, o que possibilitará a redução dos juros e o início de uma distribuição de renda no País. O ministro afirmou que vai procurar o PFL e o PSDB para discutir as reformas, buscando o apoio da oposição. Dirceu também disse que o governo vai defender sua proposta junto aos governadores. ''Não estamos fazendo a reforma porque queremos, mas porque ela é necessária e compatível com o Brasil de hoje.'' Segundo ele, ''o Brasil não pode e não tem riqueza'' para pagar uma aposentadoria a partir dos 48 anos para as mulheres e 53 anos para os homens . Dirceu participou ontem da Missa pelo Trabalhador, realizada na igreja matriz de São Bernardo do Campo.
O senador Eduardo Suplicy (PT, que também participou da cerimônia, acredita que, até setembro, o Senado deverá estar votando as emendas às propostas de reforma, apresentadas essa semana pelo governo. O senador concorda que a cobrança dos inativos é o tema mais polêmico da reforma previdenciária. Ele ressaltou, no entanto, que é importante chegar a equidade com todos os trabalhadores, tanto do setor privado como do setor público, levando em consideração quem contribuiu por menos ou mais tempo. ''Acho que podemos estudar a fundo essa questão e chegar a um consenso.''
Na avaliação de Suplicy, a grande inovação da proposta de reforma da previdência é a garantia de uma renda mínima para todas as famílias que não têm renda. O senador elogiou a possibilidade da União, junto com os Estados e municípios, financiar a proposta, dando garantia a todos os brasileiros de participarem da riqueza na nação.
Apesar de discordar do novo teto para o pagamento das aposentadorias do setor público proposto pelo governo, o deputado federal Vicente Paulo da Silva (PT), o Vicentinho, afirmou que tem total disposição em votar nas propostas de reforma. Ele enfatizou que a confiança no presidente e no seu governo, é infinitamente maior do que qualquer divergência. Vicentinho elogiou as medidas adotadas pelo governo para controlar a inflação e manter a estabilidade econômica, mas ressaltou que ainda são necessárias reformas agrária e política, além das que já foram propostas.

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